Arthur Lira aconselhou Luis Miranda a tornar públicas denúncias da Covaxin, diz jornalista

O presidente da Câmara afirma que se limitou a dizer: “Se houver algo errado, leva pra frente”

O presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), membro do centrão e aliado do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), foi quem deu a dica para que o deputado Luis Miranda (DEM-DF) tornasse público a denúncia de irregularidade na compra da vacina Covaxin pelo governo. Quem faz a afirmação é o jornalista da GloboNews Renan Brites Peixoto em uma thread publicada nesta quinta-feira (24) na sua conta do Twitter.

Brites descreve toda a cena que ocorreu dentro da sala reservada do Senado. Na ocasião estavam presentes o presidente da CPI do Genocídio Omar Aziz (PSD-AM) e o senador Marcos Rogério (DEM-RO). Os dois se aproximaram do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que conversava com o deputado Luis Miranda.

Veja thread de Brites abaixo:

O senador Omar Aziz estava presidindo a comissão que investiga as omissões do governo Bolsonaro na pandemia e decidiu tomar um café na sala reservada. Convidou o senador Marcos Rogério, que defende o governo, para acompanhá-lo na sala ao lado.

Chegando na sala reservada, Aziz pegou uma xícara de café e sentou no sofá. O senador percebeu a presença de um homem vestindo terno. O homem conversava com o senador Renan Calheiros, relator da comissão mais importante do Senado, a da COVID-19.

Omar e Rogério se aproximam do homem vestindo terno preto e ouvem dele: “Eu vou derrubar a República.” A ousadia na frase do homem de terno puxou a atenção dos dois senadores que tomavam café.

O homem começa a relatar um suposto caso de compra de vacinas superfaturadas envolvendo o presidente da República do Brasil.

O homem faz um pedido aos senadores: “Eu quero ir na CPI. Vocês querem que meu irmão seja convocado? Eu também quero ir. Temos provas. Vamos acabar com essa corrupção.” Ao que o senador Omar Aziz responde: “Você quer ir na CPI? Tem provas? Então vamos!”

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O homem de terno é o deputado Luís Miranda, do mesmo partido que o senador Marcos Rogério – o DEM. Miranda é ex-YouTuber e ficou conhecido por defender as mesmas bandeiras que o presidente Jair Bolsonaro. Foi eleito na onda bolsonarista. É um grande defensor de Bolsonaro.

A República está mais uma vez ameaçada — por um bolsonarista. Está amaçada por um presidente delinquente e agora por um deputado que diz ter provas de um escândalo de corrupção. O roteirista de ‘Brazil’ segue trabalhando. Quero saber quem vai interpretar o Omar Aziz.

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Uma nova informação chega para o roteiro: O deputado de terno chegou a falar com o presidente da Câmara antes de revelar suas acusações. Foi o presidente da Câmara, Arthur Lira, quem deu a dica para o deputado tornar as acusações públicas. Lira é ‘aliado’ do presidente.

“Leva pra frente”

Lira, por sua vez, negou o fato. O deputado do DF enviou ao presidente da Câmara uma reportagem sobre a compra da vacina indiana Covaxin e, segundo Lira, escreveu: “O bomba atômica é meu irmão”. Ele se limitou a dizer a Miranda: “É seu irmão? Se houver algo errado, leva pra frente”.

O deputado do DF teria pedido para explicar o caso antes ao presidente da Câmara, que se esquivou. “Não sou órgão de controle”, disse Lira à CNN.

Lira encerrou a entrevista dizendo que Luís Miranda é o único responsável pelas afirmações que faz. “Eu não mandei explodir nada. Disse que eu não tinha nada a ver e que ele tocasse a bomba dele para frente. O responsável é ele.”

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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