Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
22 de fevereiro de 2019, 09h15

Artigo de Moro fortalece tese de Gilmar Mendes sobre chantagem contra STF

Livro lançado nesta sexta-feira, com prefácio do ministro Barroso, traz artigos de Moro, Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobon sobre a Lava Jato que pressionam decisões do STF

Foto: Agência Brasil

Artigo do ex-juiz de primeira instância e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, lançado no livro coletânea “Corrupção: Lava Jato e Mãos Limpas”, que chega às livrarias nesta sexta-feira (22), parece corroborar com a entrevista à Folha do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, publicada nesta quinta-feira (21).

Mendes fez graves acusações sobre o que ele chama de institucionalização de milícias, diz que auditores da Receita Federal fazem “pistolagem” para outras instituições, critica os procuradores da Lava Jato – em especial Deltan Dallagnol, que estariam acuando Raquel Dodge e afirma que um ministro do STF é alvo de chantagens por uma das grandes operações investigativas em curso no país.

“A toda hora plantavam e plantaram que esse ministro estava delatado. Qual a intenção? Isso é uma forma de atemorizar, porque essa gente perdeu o limite. Este ministro ficou refém deles”, disse.

Moro foi convidado no ano passado a fazer um balanço da experiência como juiz da Lava Jato e escolheu o Supremo Tribunal Federal como foco de sua atenção, pouco antes de deixar a magistratura para assumir o Ministério da Justiça.

No seu artigo, Moro considera a decisão que autorizou a prisão de condenados em segunda instância em 2016 como a medida mais relevante tomada pelo STF nos últimos anos e critica os ministros que contrariam a maioria formada na corte a favor dessa orientação.

Moro vai ainda mais longe e afirma que a interpretação “garantista” da lei, como ele diz ao falar da posição desses ministros, “não é a mais consistente com os princípios mais amplos que animam a nossa Carta e o regime democrático, refratários à impunidade dos poderosos e à sociedade de castas”.

Organizado pela economista Maria Cristina Pinotti, “Corrupção: Lava Jato e Mãos Limpas” examina o impacto das investigações sobre corrupção no Brasil e na Itália, cinco após a deflagração da Lava Jato e duas décadas depois do fim de sua precursora italiana.

O livro tem prefácio do ministro Luís Roberto Barroso, um entusiasta da Lava Jato no STF, e inclui, além do texto de Moro, um artigo especialmente duro com o tribunal, assinado pelos procuradores Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobon, da força-tarefa na linha de frente das investigações.

Os dois contam 27 decisões contrárias à Lava Jato desde 2017 e acusam os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, hoje presidente da corte, de criar um ambiente favorável à impunidade e à corrupção ao soltar acusados presos em caráter preventivo e arquivar denúncias por falta de provas.

“O grande receio é que o Supremo se curve à velha política, à plutocleptocracia que se arraigou no país, ainda que sob protesto de ministros que têm sido bastante firmes em relação à corrupção”, dizem.

Com informações da Folha


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum