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19 de junho de 2019, 21h00

As “coincidências” entre o pedido de Moro para “inverter a ordem” de operações e a condução coercitiva de Lula

BuzzFeed Brasil revela que troca de mensagens entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol precedeu o pedido de condução coercitiva de Lula

Dallagnol e Sergio Moro (Foto: Divulgação)

Um dos trechos divulgados pelo The Intercept Brasil, da troca de mensagens entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, fala sobre a sugestão do ex-juiz para o procurador de “inverter a ordem” de operações da Lava Jato.

O fato coincide com os documentos e registros que antecederam a deflagração da fase Aletheia, aquela da condução coercitiva do ex-presidente Lula. Naquela época, era nítida a disputa aberta pela dianteira no caso do triplex entre promotores paulistas e investigadores de Curitiba. As informações são da reportagem especial de Graciliano Rocha e Severino Motta, do BuzzFeed Brasil.

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A Aletheia teve início em 4 de março de 2016 e foi uma das mais polêmicas da Lava Jato, pois foi a primeira vez que Lula, alvo de condução coercitiva decretada por Moro, teve que depor à Polícia Federal (PF) na condição de investigado no caso do triplex.

De acordo com The Intercept, à 1h07 da madrugada de 21 de fevereiro de 2016, Moro escreveu a Deltan: “Diante dos últimos desdobramentos talvez fosse o caso de inverter a ordem das duas planejadas”.

Ainda segundo o site, Dallagnol só respondeu algumas horas depois, às 11h12 do mesmo domingo 21: “O problema é o risco de nos atropelarem em SP ou em BSB. Queríamos antes, mas tem a festa do PT… Uma semana pode fazer diferença para SP especialmente. Em BSB com o acordo feito às pressas e depoimentos do senador de madrugada receamos também que adiantem algo”.

Moro respondeu, às 12h43, sempre de acordo com as transcrições publicadas pelo Intercept: “Ok. Pensem aí. Sugeri por conta do recente acompanhamento”.

E Dallagnol às 13h47: “Estamos refletindo. Por enquanto a tendência é contrária. Vou ler esses resultados parciais”.

Ao se comparar com os autos da operação Aletheia, o diálogo que aconteceu entre a madrugada e o início da tarde do domingo 21, ocorreu poucas horas depois que a força-tarefa protocolou uma peça de 89 páginas requerendo autorização para uma operação de busca e apreensão contra 30 endereços de Lula, familiares e de outras pessoas ligadas a ele.
A peça não requeria nenhuma medida adicional contra ele, além da busca e apreensão em sua casa. O pedido para a condução coercitiva do ex-presidente só foi apresentado no dia 24 de fevereiro pela força-tarefa.

O despacho de Moro, autorizando as buscas e apreensão contra Lula, entrou no sistema às 18h13 do dia 24 de fevereiro. O juiz escreveu: “Embora o ex-Presidente mereça todo o respeito, em virtude da dignidade do cargo que ocupou (sem prejuízo do respeito devido a qualquer pessoa), isso não significa que está imune à investigação, já que presentes justificativas para tanto”.

“Apesar do MPF ter reunido um acervo considerável de provas, especialmente em relação ao apartamento e o sítio, a complexidade dos fatos, encobertos por aparentes falsidades e pela utilização de pessoas interpostas, autoriza o aprofundamento das investigações”, prosseguiu o magistrado.

No mesmo dia 24, a força-tarefa protocolou uma outra petição, no grau máximo de sigilo, para a condução coercitiva de Lula e da mulher, Marisa Letícia, o que completaria a fase Aletheia. No dia 29, Moro autorizou a coercitiva do ex-presidente e negou a da ex-primeira dama.

Diálogo atribuído a Deltan e Moro pelo Intercept ocorreu menos de 24 horas após a força-terefa pedir a Moro busca e apreensão em imóveis de Lula. Juiz deferiu a petição no dia 24 de fevereiro às 18h13.

Leia reportagem completa no BuzzFeed Brasil


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