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09 de fevereiro de 2020, 18h05

As duas vezes em que o miliciano Adriano da Nóbrega foi homenageado pela família Bolsonaro

Ambas as ocasiões foram em plenário: o então deputado Jair fez discurso a seu favor na Câmara e criticou sua prisão, por homicídio. Já Flávio, então deputado estadual, deu a ele a Medalha Tiradentes, maior condecoração dada pela Alerj.

Jair e Flávio Bolsonaro e Adriano da Nóbrega (Foto: Montagem)

A morte do miliciano Adriano da Nóbrega foi notícia na manhã deste domingo (9). Muitas horas já se passaram depois disso, mas o fato continua produzindo um total de zero comentários por parte da família Bolsonaro.

Curioso, porque em outros tempos os Bolsonaro eram bastante mais rápidos e até eloquentes em suas palavras e gestos para com o que era considerado chefe da milícia Escritório do Crime.

Por exemplo, em abril de 2005, o então deputado federal Jair Bolsonaro fez um emotivo discurso no plenário da Câmara dos Deputados criticando a condenação de Nóbrega – que estava preso, desde o ano anterior, pela morte do guardador de carros Leandro dos Santos Silva –, e chegou a qualificá-lo como “brilhante oficial”.

Em sua fala em homenagem ao miliciano, Bolsonaro disse que “um dos coronéis mais antigos do Rio de Janeiro compareceu fardado, ao lado da Promotoria, e disse o que quis e o que não quis contra o tenente (Adriano), acusando-o de tudo que foi possível, esquecendo-se até do fato de ele (Adriano) sempre ter sido um brilhante oficial e, se não me engano, o primeiro da Academia da Polícia Militar”.

Também em de 2005, mas em setembro, o então tenente da Polícia Militar Adriano Magalhães da Nóbrega, se encontrava preso, acusado de homicídio, e ainda assim, recebeu, na cadeia, a Medalha Tiradentes, maior condecoração dada pela Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). A homenagem ao miliciano partiu do então deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Um ano depois das homenagens bolsonaristas, Adriano da Nóbrega conseguiu levar seu caso para a segunda instância, pela qual foi solto, em novembro de 2006, e depois absolvido, em 2007.

Vale lembrar que, em janeiro de 2019, quando as investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) apontavam para a participação de Nóbrega, também surgiu a denúncia de que a mãe e a esposa do miliciano seriam funcionárias fantasmas do escritório de Flávio na Alerj, ganhando salário como assessoras parlamentares, sem nunca ter trabalhado de fato com ele. Já como senador, Flávio negou as acusações, mas o caso nunca foi investigado em profundidade.


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