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18 de maio de 2019, 08h00

As manifestações não foram por Lula Livre, mas também podem ter sido

Milhares de estudantes que sequer haviam nascido quando Lula assumiu a presidência, saíram dessas escolas criadas por ele e ganharam as ruas do Brasil para defender um direito que, mal sabiam, havia sido conquistado em seu governo

Foto: Mídia Ninja

Diante da multidão que tomou às ruas na última quarta-feira (15), tanto o presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) quanto seus apoiadores tentaram plantar a versão de que as manifestações seriam por Lula Livre e não pela educação.

A hashtag Lula Livre chegou a ficar entre as primeiras colocações no dia. Curiosamente, quem postava nela durante todo o dia eram robôs e personalidades da extrema-direita.

As manifestações não eram, enfim, por Lula Livre. Era uma pauta dos estudantes diante dos cortes de Abraham Weintrab, ministro da Educação de Bolsonaro.

Mas, indiretamente, as manifestações acabam chegando sim em Lula. E isto por razões óbvias, as mesmas que fazem tremer Bolsonaro e seus adversários.

Nenhum presidente brasileiro fez tanto pelo setor quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vejam os dados a seguir, a partir de documento elaborado pela assessoria do próprio ex-presidente:

O orçamento para a pasta da Educação, em 2003, quando Lula assumiu o seu primeiro mandato, era de R$ 18,1 bilhões, pulando para R$ 54,2 bi, em 2010. Um salto de quase três vezes o valor, em oito anos de governo Lula. Se considerarmos até 2016, ano em que Dilma sofreu o golpe, o montante atinge 100 bilhões.

Há, ainda, um fator que caminha junto com o dinheiro investido no setor, que permitiria romper com o ciclo de pobreza geracional e melhorar o resultado dos programas de educação: o aumento da renda da população mais pobre. Nesse sentido, o Bolsa Família teve papel preponderante. Ao condicionar o recebimento do benefício à frequência das crianças na escola, o programa extrapolou o aspecto da transferência de renda para se tornar um incentivo ao ensino.

Em 2007, o então ministro Fernando Haddad criou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para avaliar a qualidade do ensino nas escolas públicas e, assim, desenvolver ações para superar os principais desafios encontrados. Entre 2007 e 2013, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) destinou recurso para mais de 37 mil escolas, priorizando aquelas com Ideb abaixo da meta nacional. No total, o governo federal investiu R$ 1,4 bilhão para os planos de ação de cada uma dessas escolas.

Também parte do PDE, o Caminho da Escola renovou e ampliou a frota de veículos escolares da rede pública. Para atender o maior número possível de crianças, principalmente aquelas que vivem em lugares distantes, foram disponibilizados 40 mil veículos. O programa também distribui bicicletas e lanchas, de acordo com a necessidade de cada região.

Com o Mais Escola, outro programa criado pela gestão Haddad/Lula, ampliou-se a jornada de 57 mil escolas públicas para, no mínimo, 7 ou mais horas diárias, um investimento de R$ 4,5 bilhões. Além das disciplinas regulares, são oferecidas atividades como acompanhamento pedagógico, educação ambiental, esporte e lazer, direitos humanos em educação, cultura e artes, cultura digital, entre outras.

Com Lula na presidência, também foi criado o Prouni, o maior programa de concessão de bolsas para o ensino superior do mundo. Até 2015, 2,55 milhões de pessoas tiveram acesso a universidades pagas. E pelo Fies, fundo de financiamento para ensino superior privado já existente, mas reformulado e fortalecido, foram 2,14 milhões os beneficiados.

No governo Lula, também foi idealizada a Reestruturação e Expansão de Universidades Federais. Processo de expansão sem precedentes na história do Brasil, o Reuni permitiu que a universidade pública chegasse ao interior do país. Em todo o Brasil, graças ao programa, foram criados 173 campi universitários e 18 universidades federais. O número de matrículas duplicou, de 2003 a 2014: de 505 mil para 932 mil. O número de professores universitários da rede federal também aumentou no período, de 40,5 mil para 75,2 mil.

A rede de escolas federais e universidades criadas por Lula, como se pode perceber, se espalhou pelo país, por todos os seus estados. Milhares de pessoas, talvez mais de um milhão, entre eles inúmeros estudantes que sequer haviam nascido quando Lula assumiu a presidência, saíram dessas mesmas escolas criadas por ele e ganharam as ruas do Brasil para defender um direito que, mal sabiam, havia sido conquistado em seu governo.

Veja abaixo, na imagem criada pelo perfil Hoje na Geografia, as cidades que abrigaram as manifestações:

Reprodução: Instagram

Os pontos se encontram em algum momento. E, por mais que a direita tenha tentado escrever por linhas tortas e produzir mais uma das suas ‘fake news’, acertaram no seu nascedouro.

As manifestações continham sim, em cada uma das suas cidades, dentro da óbvia luta pela educação de qualidade, a libertação de Lula.


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