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23 de agosto de 2019, 22h26

Assista à fala de Lula sobre a Amazônia na COP-15, considerada um dos destaques da conferência

Lula foi reconhecido como o líder mundial que mais se esforçou para trazer resultados em uma conferência marcada pela intransigência dos EUA e da União Europeia; O discurso de Lula foi, de longe, o mais aplaudido na COP-15 e apresentou o plano de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020

Reprodução/YouTube

Em entrevista ao Brasil 247, o ex-presidente Lula pediu que fosse resgatado seu discurso durante a 15ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-15), realizada no ano de 2009 em Copenhagem. O pedido foi feito em meio às críticas sobre políticas adotadas pelo governo de Jair Bolsonaro na questão ambiental.

Lula foi o único presidente a ser longamente aplaudido e teve seus esforços reconhecidos naquele encontro. O que hoje, infelizmente, sob o governo Bolsonaro é visto como um dos maiores fracassos na diplomacia ambiental mundial.

A COP-15 tinha como objetivo estabelecer novas metas de combate ao efeito estufa e superar as metas estabelecidas com o Protocolo de Kyoto – que expiravam em 2010 -, mas fracassou após uma postura incisiva e intransigente dos países desenvolvidos – principalmente Estados Unidos e União Europeia – que se recusavam a aumentar suas projeções de redução de CO2 e cobravam dos países emergentes, que estavam longes de ser os principais poluidores.

Os resultados foram tão insatisfatórios que a COP-15 não teve sequer foto oficial e o desafio de substituir Kyoto veio seis anos depois, na COP-21, que trouxe o Acordo de Paris – no qual o Brasil, com a ministra Izabella Teixeira, teve grande papel.

Em Copenhagem, o Brasil adotou uma postura bastante firme e comprometida com uma resolução na conferência e o discurso de Lula chamou a atenção do mundo todo e ofuscou até mesmo Barack Obama, dos EUA. Lula foi aplaudido quatro vezes durante a fala, como conta a Gazeta do Povo, e ainda recebem uma longa ovação no final. Ele cobrou responsabilidade das demais nações e se disse frustrado pela falta de ambição dos países.

Logo no início da fala, Lula destacou que o Brasil assumiu o compromisso de reduzir a emissões de gases de efeito estufa de 36,1% a 38,9% e o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020, através de uma lei no Congresso. “O que nós precisamos… e vou dizer, de público, uma coisa que eu não disse ainda no meu país, não disse à minha bancada e não disse ao meu Congresso: se for necessário fazer um sacrifício a mais, o Brasil está disposto a colocar dinheiro também para ajudar os outros países”, disse em um dos trechos em que foi aplaudido pelos representantes dos demais países.

“Estamos dispostos a dar um passo a mais se a gente conseguir resolver o problema que vai atender, primeiro, a manutenção do desenvolvimento dos países em desenvolvimento. Nós passamos um século sem crescer, enquanto outros cresciam muito. Agora que nós começamos a crescer, não é justo que voltemos a fazer sacrifício”, destacou Lula em outro trecho que recebeu aplausos.

Confira trecho da fala recuperada pelo Instituto Lula:

 


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