Atacado por Bolsonaro nas redes, reitor da UFPel é advertido oficialmente pelo governo

Pedro Hallal e um outro professor da universidade foram advertidos por terem proferido comentários "desrespeitosos" contra o presidente durante live

O governo de Jair Bolsonaro emitiu, na terça-feira (2), duas advertências contra um professor e o reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O processo administrativo não gera demissão, mas fica registrado na ficha funcional dos profissionais.

O extrato de termo de ajustamento de conduta publicado no Diário Oficial da União (DOU) relata que tanto o professor Eraldo dos Santos Pinheiro quanto o reitor Pedro Rodrigues Curi Hallal proferiram manifestações “desrespeitosas” e de “desapreço” contra o presidente Jair Bolsonaro.

Os comentários teriam ocorrido durante transmissão ao vivo no Facebook e YouTube da universidade no dia 7 de janeiro. Segundo a advertência, a live se configura como “local de trabalho” por ser um meio digital de comunicação da instituição.

A reincidência de processos administrativos abre caminho para uma possível demissão dos servidores ou suspensão, com corte de remuneração.

O reitor da UFPel, Pedro Hallal, também é epidemiologista e coordenador da pesquisa nacional Epicovid, que acompanha o avanço do coronavírus no Brasil. Ele se tornou uma das principais fontes da TV Globo sobre o coronavírus.

Não é a primeira vez que Hallal é atacado ou recebe ameaças do governo federal. No dia 14 de janeiro, Bolsonaro compartilhou em suas redes sociais um vídeo que mostra o apresentador da Rádio Guaíba, de Porto Alegre, humilhando o reitor.

No trecho da entrevista compartilhada pelo presidente, o apresentador Julio Ribeiro provoca o reitor sobre ele ter sido infectado com a Covid-19 em dezembro, insinuando que Hallal não seguiu os protocolos da doença.

“A ala ideológica que o professor representa queria ver o teste de Covid do presidente, queria saber tudo sobre a saúde do presidente, mas a dela é de foro íntimo”, ironizou Ribeiro.

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Luisa Fragão

Jornalista.