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06 de março de 2019, 16h19

Bebianno tinha razão? Bolsonaro é louco?

Se o comportamento dos filhos do presidente já era tido como inadequado, retirando em diversos momentos a autoridade do próprio pai presidente e transformando o governo em uma cena dantesca de mesa de jantar numa família desestruturada, dessa vez foi o próprio patriarca que parece ter surtado

Foto: Rafael Carvalho/PR

Por Alencar Santana*

Se o comportamento dos filhos do presidente já era tido como inadequado, retirando em diversos momentos a autoridade do próprio pai presidente (se é que ele tem) e transformando o governo em uma cena dantesca de mesa de jantar numa família desestruturada, dessa vez foi o próprio patriarca que parece ter surtado.

Pior que Trump, o maior viciado em internet do mundo, Bolsonaro tirou o feriado de carnaval para ficar no Twitter cuidando da vida das pessoas, incitando o ódio a artistas contrários ao seu governo, propagando fake news e chegando ao cúmulo de publicar em sua conta um vídeo com cenas impróprias para crianças e à família que diz defender.

O que ele pretendia era reduzir o carnaval – uma festa popular bonita, plural e democrática, um dos símbolos de nossa cultura – a um encontro de pervertidos.

Uma festa símbolo da cultura do país que ele diz estar acima de tudo e de todos e que, somente em duas cidades, Rio e São Paulo, vai gerar milhares de empregos temporários e quase R$ 5 bi de receitas públicas e privadas.

O que as pessoas fazem em seu dia a dia não é jurisdição de Bolsonaro.

De sua conta, no entanto, seria explicar o caso do Queiroz, os laranjas de seu partido e qual é a verdadeira relação de sua família com milicianos.

No entanto, mesmo que a vida das pessoas fosse de sua conta, Bolsonaro não está preocupado com “valores”, mas sim em atacar todos aqueles que contrapõem suas atitudes e seu jeito raso de governar e de agir.

Ele deve ter ficado indignado com as palavras do povo no carnaval que o mandaram ir tomar nos mais criativos lugares.

Onde já se viu, né, Presidente?

Mas essa indignação não foi a mesma quando Dilma assim foi agredida na abertura da Copa, quando Bolsonaro já era pessoa pública, um deputado, e ficou calado.

O papel de um presidente é representar a Nação, ter modos, ser ponderado e não agir com agressividade quando criticado.

O papel de um presidente é apresentar soluções para os problemas concretos do povo e do país, respeitar as instituições e preservar a posição externa do país frente ao mundo.

Bolsonaro não tem sido nada disso e tem feito um governo antipovo, colocando o Brasil nos holofotes da vergonha mundial.

Quer perseguir, difamar e retirar direitos.

Quer transformar o país em seu feudo familiar, impor seus costumes e modos atrasados e sua lógica tacanha de viver e agir.

“Bolsonaro é louco”. As palavras de Bebianno, seu homem de confiança demitido pelo caçula, parece serem verdadeiras.

*Alencar Santana é deputado federal (PT-SP)


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