Bia Kicis censura ata da CCJ e apaga críticas a Bolsonaro por genocídio

A palavra genocida por substituída por "expressão retirada por determinação da Presidência" em discursos de Maria do Rosário, Fernanda Melchionna, Rui Falcão, Erika Kokay e Orlando Silva contra Bolsonaro; confira

Após deputados da oposição criticarem a política genocida implementada pelo presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, a deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) decidiu apagar a menção ao genocídio da ata da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Kicis chegou ao comando da comissão após a eleição de Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da casa legislativa.

“Qualquer palavra injuriosa dirigida a quem quer que seja esta Presidente tem a prerrogativa de retirar. Em episódios anteriores, houve a interrupção da fala, e isso não está ocorrendo neste momento. V.Exas. estão falando livremente. E esta Presidente está aplicando o Regimento também, de acordo com o que deve ser feito”, declarou Kicis após discurso de Fernanda Melchionna (PSOL-RS). A deputada do PSOL chamou o presidente de Jair Genocida Bolsonaro.

Antes, Kicis já havia determinado a censura dos discursos de Maria do Rosário (PT-RS) e Rui Falcão (PT-SP).

Nas notas taquigráficas da Câmara, todas as vezes que os parlamentares usaram a palavra “genocida”, a expressão foi substituída por um observação: “(expressão retirada por determinação da Presidência)“.

Rosário tentou argumentar que não se trata de expressão injuriosa, mas de realidade. Kicis, no entanto disse que o assunto já estava “superado”. “Por que genocida não é injurioso? Porque é verdade. E por que vocês se incomodam tanto que Jair Bolsonaro esteja sendo chamado de genocida, apesar da falsa risada ou do escárnio da sua risada na porta do Palácio, que ele não deveria ocupar por ser um genocida e alguém que não tem moral? Olha, vocês se incomodam e ele também, porque é verdade”, declarou.

“Deputada Bia, nós temos notas taquigráficas de discursos históricos, dados por Deputados durante os anos de chumbo e teve que vir um AI-5 para fechar a Câmara e o Senado. Não é V.Exa. que vai tirar minhas palavras das notas taquigráficas, porque um genocida como Bolsonaro deve ser tratado e chamado como genocida. Não aceito sua tentativa de tolher a palavra de Parlamentares e, sobretudo, de tentar retirar dos registros da Casa o que cada um falou no seu tempo. Eu tenho a convicção de que nós teremos orgulho no futuro de como lutamos pelo povo brasileiro, contra a COVID e contra esse criminoso. E os senhores serão apagados da história”, disse Melchionna.

Além de Melchionna, Rosário e Falcão, foram censurados Orlando Silva (PCdoB-SP) e Erika Kokay (PT-DF). Os parlamentares continuaram a chamar Bolsonaro de genocida mesmo com a tentativa de silenciamento por Kicis.

Confira aqui a censura nas notas taquigráficas e veja dois dos discursos censurados:

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Lucas Rocha

Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.