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11 de julho de 2019, 09h40

Bolsonaro agora quer levar luta contra “ideologia de gênero” para Direitos Humanos da ONU

Termo criado por conservadores foi usado para elaborar lendas na campanha presidencial, como o "kit gay" e a "mamadeira de piroca". Crítico da ONU e ainda mais dos Direitos Humanos, Bolsonaro afirmou que candidatura à reeleição do Brasil no conselho de Direitos Humanos exclui a palavra gênero

Bolsonaro e a fake news do Kit Gay, que foi levada ao ar no Jornal Nacional (Arquivo)

As fake news sobre o combate à chamada “ideologia de gênero” – que resultaram em mentiras como o “kit gay” e a “mamadeira de piroca” – propagadas pela campanha de Jair Bolsonaro (PSL) durante as eleições presidenciais em 2018 serão apresentadas nesta quinta-feira (11) pelo ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, para pleitear a candidatura do Brasil à reeleição no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, para o triênio de 2020 a 2022.

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Pelo Twitter, Bolsonaro louvou a pauta da diplomacia brasileira, segundo ele, “ligadas ao fortalecimento das estruturas familiares e a exclusão das menções de gênero”.

Crítico da ONU e ainda mais dos Direitos Humanos, Bolsonaro pretende garantir a continuidade do Brasil no Conselho da organização excluindo menções a gênero, à desigualdade e à tortura. Também foram excluídas menções à pobreza, à fome e ao desemprego

Ao contrário da apresentação da candidatura em 2016, o documento não faz menções ao termo “gênero”, que então aparecia duas vezes. O texto afirmava que o governo brasileiro “persistiria em seu intransigente compromisso para a igualdade de gênero e o empoderamento feminino”, além de reconhecer avanços “na luta contra todas as formas de violência e discriminação de gênero”.

A promoção da família, que não era citada na candidatura anterior, é mencionada nove vezes na atual.

A exclusão da palavra “gênero” e a entrada da promoção da família acompanha a nova posição brasileira em fóruns internos e internacionais. Nas últimas semanas, durante audiências do Conselho em Genebra, por diversas vezes o Brasil foi contra o uso do termo “gênero” em resoluções da ONU. A insistência brasileira levou o México a retrucar que o termo é consagrado há décadas no direito internacional, estando presente em mais de 200 resoluções do órgão de direitos humanos.

As eleições acontecem em outubro, durante a Assembleia Geral da ONU. Há duas vagas para países sul-americanos e do Caribe e entende-se que Brasil e Venezuela serão os únicos candidatos.


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