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15 de fevereiro de 2020, 21h05

Bolsonaro celebra aumento de presos e leva invertida de mãe: “Meu filho não era bandido”

Filho de Conceição Barbosa desenvolveu depressão e ansiedade ao servir no Exército. Após tentativa de suicídio, foi preso e humilhado em delegacia de MG

Conceição Barbosa e o filho, Eduardo/Arquivo pessoal

O presidente Jair Bolsonaro foi às redes sociais neste sábado (15) para comemorar o aumento no número de presos no país que, segundo ele, são todos bandidos que levam terror à população. Uma mãe então respondeu à postagem do presidente: “Meu filho não era bandido e foi espancado pelo Exército e está morto”.

Na reportagem compartilhada por Bolsonaro, há a informação de que o número de presos no país chegou a 773 mil, uma alta de 3,89% com relação ao semestre anterior. “Significa 3,89% a menos de bandidos levando terror à população”, escreveu o presidente.

A professora mineira Conceição Barbosa Torres da Costa respondeu à postagem dizendo que seu filho foi torturado e morto pelo Exército, núcleo das Forças Armadas amplamente defendido por Bolsonaro e que tem grande espaço em seu governo.

Em reportagem compartilhada por Conceição, há o relato de que seu filho, Eduardo Barbosa Torres da Costa, de 23 anos, entrou em depressão e espancado na carreira militar, sem que os culpados fossem punidos. “O Exército sempre foi o sonho dele, assistia essas propagandas de convocações para o serviço militar com os olhinhos arregalados. Eu só quero justiça pelo meu filho, para que nenhuma mãe passe pelo que eu passei. Eles [o Exército] torturaram e mataram o Dudu”, diz ela, em trecho da entrevista ao BHAZ.

A mãe de Eduardo conta que o filho desenvolveu uma depressão no ambiente militar e que, após um surto, o garoto foi humilhado em uma delegacia. “Ele saiu correndo pelas ruas de Juiz de Fora, se jogando nas frentes dos carros. A polícia interveio, prendeu meu filho e bateu muito nele. Quando chegamos na delegacia, já tinha um coronel do Exército lá. Meu filho estava batendo a cabeça na parede, muito descontrolado. Eu peguei e deitei ele no meu colo, para se acalmar um pouco”, conta.

“Ele virou e falou comigo: ‘Mãe, não sou bandido’. Eu disse que ele iria para o hospital, para se cuidar. Ele havia se acalmado. Mas aí o coronel apareceu e começou a agredir meu filho verbalmente, falou que ele era um lixo para o Exército. Eles se atracaram, bateram muito no meu filho, na minha frente. Deram voz de prisão para meu filho, meu marido e meu outro filho. O Eduardo desmaiou, ninguém fez nada”, desabafa.

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