Bolsonaro dá declaração homofóbica ao comentar sobre pandemia: “País de maricas”

Em discurso conspiratório, Bolsonaro atacou a esquerda, a Argentina e falou em fraude eleitoral

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criar polêmica nesta terça-feira (10) durante cerimônia no Palácio do Planalto que deveria ser voltada para tratar de temas relativos à retomada do turismo no Brasil. O ex-capitão demonstrou enorme irritação durante o discurso, com declarações homofóbicas, ataques à esquerda e teorias conspiratórias.

Dando uma mostra de sua insensibilidade com as mais de 161 mil mortes provocadas pela pandemia da Covid-19 no país, o presidente falou em “lutar de peito aberto” contra o Sars-Cov-2 e “deixar de ser um país de maricas”.

“Tudo agora é pandemia. Tem que acabar com esse negócio, pô. Lamento os mortos, lamento. Todos nós vamos morrer um dia. Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas, pô. Olha que prato cheio para a imprensa, hein? Para a urubuzada que está ali atrás… Temos que lutar. Peito aberto, lutar. Que geração é essa nossa? A geração hoje em dia é toddynho, nutella, zap. É uma realidade”, declarou.

“[Eles falam] ‘queremos um centro, nem ódio para cá, nem ódio para lá’. Ódio é coisa de marica, pô. Meu tempo de bullying na escola era porrada”, disse ainda.

O presidente fez referências a Fernando Haddad e João Doria e distribuiu ataques ao governo da Argentina, comandado por Alberto Fernández. “O que faltou para nós não foi um líder, foi deixar o líder trabalhar. Imagina se era o Haddad no meu lugar, o governador de São Paulo no meu lugar, a desgraça que estaria. Semelhante ao sul aqui, na Argentina, que fecharam tudo. Pessoal tá fugindo do Uruguai, pro Rio Grande do Sul. Será que o rio Grande do Sul vai se transformar em uma Roraima? Da Venezuela para Roraima. Não queremos isso. Rivalidade com Argentina só no futebol”, disse.

“Criticaram muito o Macri. Já voltou na Argentina a turma da Kirchner, Dilma, Maduro, Evo. Evo agora tá na Bolívia”, completou.

Ele ainda falou em fraude eleitoral. “O Parlamento tem sua culpa também. Eu sei como funciona o Parlamento e ali tem uma corrente forte de esquerda. Corrente do atraso. Para dividir o dos outros. Parece que o Brasil não corre o risco de ir para esquerda em definitivo. Não temos sistema sólido de votação no Brasil, é passível de fraude sim”, completou.

A declaração foi feita uma semana depois do “ídolo” de Bolsonaro, o presidente Donald Trump, perder a disputa à reeleição nos Estados Unidos. Trump, no entanto, não aceitou a derrota e alega que houve fraude.

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Lucas Rocha

Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.