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16 de agosto de 2019, 16h21

Bolsonaro debocha da Folha e chama Bolsa Família de “condução coercitiva”

"Em parte, o Bolsa Família foi usado para ganhar votos", declarou o presidente nesta sexta-feira (16), que ainda disse que "o conhecimento" combate a miséria, apesar de ter promovido cortes em 25% do orçamento anual do Ministério da Educação

Foto: Alan Santos/PR

Depois de dar uma declaração polêmica contra a vitória acachapante do kirchenirismo nas eleições prévias da Argentina e ver o presidente Maurício Macri recuar em relação à postura agressiva contra o presidenciável Alberto Fernández, o presidente Jair Bolsonaro mudou o tom nesta sexta-feira (16) e disse que vai, sim, conversar com o peronista, caso ele vença em outubro.

Também nesta manhã, Bolsonaro tratou o Bolsa Família como “condução coercitiva” e disse que os governos anteriores estimulavam as pessoas a seguirem recebendo o benefício, que ele reconheceu como necessário para “muita gente”, para conseguir votos.

Ao comentar sobre a Argentina, ele ironizou a Folha de S. Paulo, que o bolsonarismo considera como um veículo de “extrema-esquerda”. “Eu converso até com a Folha de S.Paulo, quem dirá com o futuro presidente da Argentina”, afirmou Bolsonaro na manhã desta sexta-feira. “Estamos dispostos. Ele que vai ter que dar um sinal. Quando eu tomei posse, falei que ia manter a democracia, a liberdade, abrir o mercado, respeitar as religiões. É o que eu estou fazendo”, completou

Na segunda-feira, logo após o resultado das prévias, ele disse que o “Rio Grande do Sul pode virar Roraima”, em mais uma comparação da Argentina com a Venezuela, e que “bandidos de esquerda estão voltando”. Macri, na ocasião, também tinha sido bem duro e culpado Cristina Kirchner pelo insucesso nas políticas econômicas de seu governo, o que assustou o mercados. Depois, recuou, assumiu a responsabilidade e cogitou até mesmo que possa haver uma alternância de poder no país. A posição de Bolsonaro vai na mesma direção.

O presidente, no entanto, não deixou de atacar Fernández e fez coro a Paulo Guedes na questão do Mercosul, reafirmando que cogita em sair do bloco. “Ele [também] já falou que quer rever o Mercosul. Então, o Paulo Guedes, perfeitamente afinado comigo por telepatia, já falou: ‘Se criar problema, o Brasil sai do Mercosul’, e está avalizado, sem problema nenhum”, disse.

Bolsa Família sob ataque

Bolsonaro voltou a abusar da retórica contra os governos petistas, dizendo que o programa Bolsa Família tinha objetivo eleitoreiro e que parte dos beneficiados seguem recebendo a auxílio para gerar votos para o PT. “Eu lembro no debate de 2014 uma candidata bateu no peito e falou que no ‘nosso governo 52 milhões de pessoas vivem do Bolsa Família’. Obviamente, e muita gente, repito, necessitava até disso daí. Mas outra parte, não, porque não era estimulada a sair desse tipo de condução coercitiva, vamos assim dizer”, avaliou.

“Em parte, o Bolsa Família foi usado para ganhar votos”, disparou Bolsonaro, que ainda fez pouco caso dos programas sociais. “Para esses que até pouco dominaram o país é muito importante que o povo brasileiro tenha em uma de suas mãos um título de eleitor e, na outra, o cartão de um programa assistencial. O que tira a juventude da miséria, ou um homem ou uma mulher, é o conhecimento. Não são programas sociais, que em alguns casos são necessários, até pela idade e pela condição daquela pessoas. Mas não podemos crescer pensando nisso”, declarou.

Apesar de falar que o que tira o povo da miséria é o conhecimento, o governo Bolsonaro vem empreendendo uma política de cortes no Ministério da Educação, tendo reduzido já 25% do orçamento anual destinado à pasta. Esse “contingenciamento” tem sido alvo de grandes protestos e atinge tanto o Ensino Superior quanto a Educação Básica.

 


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