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04 de julho de 2019, 23h00

Bolsonaro defende trabalho infantil dizendo que “não foi prejudicado em nada”

"'Não foi prejudicado'? A gente discorda, Bolsonaro. Creio que você teve uma epifania sobre a origem desse governo de ressentidos. Faltou brincar na infância", rebateu líder do Cidadania (Ex-PPS), Eliseu Neto

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Em sua live semanal desta quinta-feira (4), o presidente Jair Bolsonaro disse não ver nada demais no trabalho infantil e avaliou que “não fui prejudicado” por ajudar os pais na fazenda aos 9 anos de idade. Liderança do Cidadania (ex-PPS) no Senado ironizou a declaração polêmica dizendo que “faltou brincar” para curar o ressentimento.

“Olha só, trabalhando com 9, 10 anos de idade na fazenda. Não fui prejudicado em nada. Quando 1 moleque de 9, 10 anos de idade vai trabalhar em algum lugar, está cheio de gente aí falando que é trabalho escravo, trabalho infantil. Agora, quando está fumando 1 paralelepípedo de crack, ninguém fala nada. Então, o trabalho não atrapalha a vida de ninguém”, reclamou o presidente, que morou com a família por 2 anos em fazenda, em Eldorado, São Paulo.

Bolsonaro ainda considerou a proibição do trabalho infantil parte de um “excesso de direitos” que faz “o país afundar”. “Saudades daquela época onde se tinha muito mais deveres do que direitos. Hoje você só tem direito e, dever, quase nenhum, e por isso nós afundamos cada vez mais”, disse em tom melancólico.

Apesar da defesa saudosa, Bolsonaro disse que não pretende alterar a criminalização desse tipo de trabalho. “Fique tranquilo, que eu não vou apresentar nenhum projeto aqui para descriminalizar o trabalho infantil, porque eu seria massacrado”, afirmou o presidente.

Pelo Twitter, Eliseu Neto, que atua na liderança do Cidadania (Ex-PPS) no Senado, debochou de Bolsonaro. “‘Não foi prejudicado’? A gente discorda, Bolsonaro. Creio que você teve uma epifania sobre a origem desse governo de ressentidos. Faltou brincar na infância”, tuitou.

Agenda 2030 da ONU

A declaração de Bolsonaro vai na contramão da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê a erradicação do trabalho infantil até 2025. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera que a América Latina foi a que teve a maior redução nesse tipo de exploração entre os anos de 2012 e 2016.

Segundo a PNAD Contínua, no Brasil há 1,8 milhão de crianças entre 5 e 17 anos realiza trabalho infantil, mas esse número já foi muito maior. Entre 1992 e 2015, 5,7 milhões de crianças deixaram de trabalhar no país, o que significou uma redução de 68%, segundo a ONU.


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