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14 de janeiro de 2020, 11h42

Bolsonaro encerra entrevista ao ser questionado se mandou Queiroz faltar a depoimento no MP

No livro “Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos", a jornalista Thaís Oyama diz que Bolsonaro ordenou a Queiroz que não fosse depor aos promotores. A estratégia era levar o caso ao STF, onde a investigação chegou a ficar suspensa por Dias Toffoli, que atendeu pedido de Flávio Bolsonaro

Jair Bolsonaro e Fabrício Queiroz (Montagem)

Jair Bolsonaro voltou a se irritar ao ser indagado sobre o seu “amigo desde 1985” e abandonou uma entrevista na manhã desta terça-feira (14) em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília.

Após criticar o livro “Tormenta – O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos”, da jornalista Thaís Oyama, que será lançado no dia 20, Bolsonaro abandonou a entrevista ao ser indagado se realmente mandou o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, não comparecer ao depoimento marcado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em dezembro de 2018.

No livro, que conta os bastidores da eleição e do primeiro ano do governo, a jornalista diz que Bolsonaro ordenou a Queiroz que não fosse depor aos promotores.

“Tem uma colega de vocês [jornalistas] que fez um livro que leu meu pensamento. O livro é fake news, um livro mentiroso”, disse Bolsonaro nesta terça.

Estratégia
De acordo com o livro, após a divulgação do escândalo do Coaf, envolvendo o ex-assessor do clã, advogados de Queiroz e Bolsonaro fecharam a estratégia de que o ex-PM iria até os promotores, mas diria que não daria declarações até ter acesso à investigação. Queiroz ainda negaria qualquer relação com o clã.

Dessa forma, segundo os juristas, Queiroz não ficaria com fama de fujão, e blindaria a imagem de Jair e Flávio Bolsonaro.

No entanto, dois dias antes do depoimento, Bolsonaro teria mandado Queiroz não comparecer ao depoimento, após ser convencido por um amigo advogado de que a melhor estratégia para abafar o esquema era jogar o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Assim feito, meses depois a defesa de Flávio Bolsonaro conseguiu uma liminar do presidente da corte, Dias Toffoli, paralisando investigações baseadas em informações de Coaf e Receita Federal.

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