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23 de dezembro de 2019, 15h42

Bolsonaro enxerga Nordeste como região de seca e extrema pobreza, diz General Heleno

A declaração foi dada pelo ministro durante o programa Impressões, da TV Brasil

Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)

Em entrevista concedida ao programa Impressões, da TV Brasil, nesta segunda-feira (23) o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, deu uma declaração contraditória afirmando que o presidente Jair Bolsonaro quer “modificar o Nordeste” e mudar uma suposta imagem de seca e pobreza extrema.

“Ele [o presidente], desde o início, tem na cabeça que se quiser modificar o Brasil, tem que modificar o Nordeste. Não podemos mais ter aquela imagem do Nordeste com aquela seca na época da estiagem, não podemos admitir que o semiárido seja um foco de pobreza extrema, que as pessoas tenham que sair do Nordeste para sobreviver em outras regiões do país”, afirmou o ministro.

A região Nordeste é a que apresenta os maiores índices de rejeição ao presidente, que neste primeiro ano de governo promoveu uma verdadeira retaliação econômica à região, com redução no investimento público, e ainda deu declarações de caráter xenófobo contra a população e os governos locais. Como resposta, os nove governadores nordestinos decidiram se unir e formar o Consórcio Nordeste.

Vazamento de óleo

Outro acontecimento que marcou a relação do governo Federal com a região foi o vazamento de óleo que atingiu mais de 100 municípios nordestinos. Como relatou o jornalista Wilfred Gadêlha, em reportagem especial da Fórum sobre a tragédia ambiental, o governo “desde o início do problema, assumiu uma postura covarde, transferindo suas responsabilidades para as esferas estaduais e municipais, mentindo sobre as ações e sobre a origem do vazamento e, principalmente, deixando de repassar informações importantes para o combate à crise”.

Crescimento do Nordeste

A “imagem” que Bolsonaro pretende “mudar” ainda demonstra um desconhecimento do Nordeste de hoje, que cresceu cerca de 3,3% ao ano entre 2002 e 2015 – uma média superior à nacional (2,9%). Entre 2002 e 2017, a participação da região no PIB do Brasil ainda subiu de 13,1% para 14,5%, segundo o levantamento “Contas Regionais do Brasil 2017”, publicado em 2019 pelo IBGE. Esse foi o maior salto percentual no período (1,4 pp.), empatado com a região Centro-Oeste.


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