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07 de fevereiro de 2020, 15h12

Bolsonaro exonera neto de Raoni da Funai após recriação de Aliança dos Povos da Floresta

Patxon Metuktire acredita ser alvo de retaliação por encontro realizado em janeiro

Cacique Raoni (Foto: Reprodução)

O caiapó Patxon Metuktire, neto do cacique Raoni Metuktire e um de seus principais auxiliares, foi exonerado nesta semana da Fundação Nacional do Índio (Funai) pelo secretário Nacional de Justiça, Luiz Pontel – número 2 do ministro Sérgio Moro. Há pouco mais de 15 dias o cacique promoveu um encontro com centenas de indígenas que recriou a Aliança dos Povos da Floresta.

Em entrevista ao jornalista Rubens Valente, da Folha de S. Paulo, Patxon disse que considera a medida uma retaliação, principalmente pelo papel que Raoni tem desempenhado em denunciar o governo no exterior. “O presidente Bolsonaro esteve falando muita coisa do meu avô.. Entendo que houve algo [nesse sentido], tanto que não me comunicaram nada, não explicaram nada”, declarou.

O neto do líder indígena atuava como coordenador regional Norte de Mato Grosso da Funai em Colíder (MT) desde 2015. No seu lugar, irá assumir um servidor de carreira da Funai.

Entre os dias 15 e 17 de janeiro, Raoni realizou o encontro dos Povos Mebengokrê, na Terra Indígena Capoto Jarina, às margens do rio Xingu, com mais de 450 lideranças indígenas.  “Esse encontro não é para planejar uma guerra, um conflito. Estamos aqui para defender nosso povo, nossa causa, nossa terra. Eu quero pedir mais uma vez que o homem branco nos deixe viver em paz, sem conflito, sem problema. Eu nunca faria um encontro para atacar alguém. Estamos nos reunidos aqui para nos defender”, disse o cacique em recado direcionado a Bolsonaro dado em coletiva de imprensa.

Deste encontro, ressurgiu a Aliança dos Povos da Floresta, movimento criado por Chico Mendes há mais de 40 anos. “Meu pai dizia que a floresta nos une frente ao perigo comum, mas hoje é o Governo que nos trata como se fôssemos um inimigo. Tentamos contato com o Governo assim que assumiram, como foi feito com todos os anteriores. Mas os órgãos que eram nossos interlocutores estão fechando as portas”, afirmou Angela Mendes, filha do seringueiro.


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