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31 de julho de 2018, 00h46

Bolsonaro janta jornalistas no primeiro bloco do Roda Viva

Só da metade do segundo bloco para a frente que dois embates deram um novo ânimo ao programa com perguntas de Daniela Lima e Bernardo Mello Franco

Bolsonaro começou o programa nervoso, falando pra dentro, com a voz meio abafada. Parecia um menino acuado ao invés do corajoso capitão que é tratado como mito pelos seus seguidores.

Aí veio a primeira e constrangedora de sempre, realizada pelo apresentador do programa, como ele gostaria de ser lembrado para a história depois de seu mandato se fosse eleito.

Este blogue já apelidou esta pergunta de cor, flor, fruta. Igual a daquela brincadeira da décadas de 80, conhecida por Stop.

Neste momento, Bolsonaro acabou se soltando quando Ricardo Lessa insistiu na pergunta. E de lá para diante o que se viu foram os jornalistas mais nervosos do que ele.

E isso não significava que Bolsonaro estava preparado. Ele repetia memes de internet como se fossem verdade.

A sua principal porrada, aliás, foi para a imprensa. Ele leu de cor um trecho de editorial de O Globo assinado por Roberto Marinho, que chamou o golpe militar de revolução democrática. Bolsonaro também lembrou que a TV Globo nasceu em 1965 logo depois do Golpe e a revista Veja em 1968.

Os jornalistas ficaram calados, num silêncio constrangedor. O segundo bloco continuou com Bolsonaro se saindo melhor do que a bancada.

Segundo bloco

Os jornalistas melhoram no segundo bloco, mas Bolsonaro não perdeu a linha. Ele comandou o ritmo da entrevista. Continuou falando o que queria sem ser interrompido, por exemplo, como foi Manuela D´Avila, mesmo em momentos que usava dados exagerados ou falsos.

Só da metade do segundo bloco para a frente que dois embates deram um novo ânimo ao programa. Daniela Lima, da Folha de S. Paulo, perguntou sobre o auxílio moradia. E sobre ele usá-lo mesmo tendo casas em Brasília e no Rio de Janeiro. Neste momento, Bolsonaro piscou e se enrolou.

Quando Bernardo Melo Franco, colunista de o jornal O Globo, falou que ele estava sendo processado por racismo pelo MPF, Bolsonaro também se perdeu um pouco. Mesmo assim, não se deixou intimidar. E continuou seu discurso de tiros para tudo quanto é lado sem se preocupar com a pergunta.

Terceiro bloco

Neste bloco, a jornalista Maria Cristina Fernandes, de O Valor, fez uma pergunta que parecia simples. O que Bolsonaro pretendia fazer para diminuir a mortalidade infantil.

O candidato do PSL, no entanto, mostrou toda a sua fragilidade dizendo que iria cuidar das crianças prematuras. E que as mães também precisavam de cuidados bucais.

Nas redes sociais este foi o momento em que Bolsonaro foi mais ridicularizado.

Ficou claro que é neste tipo de questão que Bolsonaro tem mais a perder. Nas questões sobre segurança e ditadura militar ele vai falar dezenas de besteiras e barbaridades, mas isso parece que não o fará perder votos. Já em questões simples sobre programa de governo, suas fragilidades se tornam constrangedoras.

Quarto bloco

Neste bloco de encerramento, Bolsonaro insinuou que a pessoa que o assaltou e levou sua arma pode ter sido assassinada por conta disso. Com cara de quem estava relacionando os fatos, o candidato disse que por coincidência aparecer morto na favela em que morava dois dias depois.

Os jornalistas, que tinham ganhado mais desenvoltura durante o programa, não o interromperam neste momento. Que seria algo absolutamente importante. A pergunta que faltou seria, deputado o senhor está insinuando algo? O senhor está querendo dizer que mandou matar a pessoa que o assaltou?


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