Fórum Educação
26 de março de 2020, 06h35

Bolsonaro monitora mídia e, de madrugada, rebate editorial da Folha: “Retire-se”, “não”

Jornal diz que presidente “estorva” a mobilização necessária para combater o coronavírus e “não aprende nem se cala” ao minimizar a pandemia

Pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, em cadeia nacional de rádio e televisão, sobre o enfrentamento à Covid19 Foto: Reprodução TVbrasilgov

Em sinal de que tem monitorado a imprensa do País, o presidente Jair Bolsonaro foi às redes sociais na madrugada desta quinta-feira (26) para responder o editorial da Folha de S.Paulo que pede a sua saída da Presidência. “Presidente, retire-se”, diz o título do texto. “Não. Bom dia”, respondeu o ex-capitão.

No editorial, o jornal diz que o presidente “estorva” a mobilização necessária para combater o coronavírus no país. A Folha diz ainda que Bolsonaro “não aprende nem se cala” ao minimizar a pandemia, que já matou mais de 16 mil pessoas nos últimos três meses. Presidente também tem utilizado a economia como argumento para defender o fim do isolamento social.

“Não aprende as lições da ciência e dos técnicos em saúde pública de todo o mundo e de seu próprio governo. Não se cala para evitar a propagação das estultices que povoam a sua mente apalermada”, diz o texto da Folha.

“Tudo o que o Brasil não precisa neste momento é de um presidente que estimula a divisão e atrapalha a coordenação de diagnósticos e estratégias municipais, estaduais e federais contra a doença e o empobrecimento num país continental de 210 milhões de habitantes”, diz outro trecho do texto da Folha.

“O país tampouco pode perder tempo com brigas políticas entre o chefe de Estado e governadores, entre Executivo e o Congresso”, argumenta a Folha, em referência ao bate-boca desta quarta-feira (25) entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

“Que se forme um núcleo de governabilidade capaz de deixar em segundo plano as sandices do presidente”, finaliza o editorial.

Em pronunciamento nesta terça-feira (24) sobre o coronavírus, Bolsonaro acusou os meios de comunicação de “espalharam a sensação de pavor” no Brasil e promoveram o que ele chamou de “histeria” no país. Presidente também voltou a chamar o coronavírus de “gripezinha”. Declaração foi criticada por diversos jornais internacionais.


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