Bolsonaro promove “tragédia humanitária, social e econômica” no Brasil, denunciam entidades na ONU

"A situação do país é desesperadora", diz representante de associação. Itamaraty tem rejeitado qualquer tipo de responsabilização

O governo de Jair Bolsonaro se tornou alvo de novos ataques no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Desta vez, críticas partem da Comissão Arns em coordenação com a entidade Conectas Direitos Humanos. As entidades discursam nesta segunda-feira (15).

Entre os temas a serem debatidos na organização, estão o colapso no sistema de saúde e crise econômica em meio à pandemia, assim como o deboche do presidente sobre a dor das famílias das vítimas da Covid-19. As informações são da coluna de Jamil Chade, no UOL.

“A situação do Brasil é desesperadora”, disse a representante da Comissão Arns, Maria Hermínia Tavares de Almeida, professora titular aposentada de Ciência Política na Universidade de São Paulo (USP), em entrevista à coluna.

“Ele desdenha das recomendações dos cientistas; ele tem, repetidamente, semeado descrédito em todas as medidas de proteção – como o uso de máscaras e distanciamento social; promoveu o uso de drogas ineficazes; paralisou a capacidade de coordenação da autoridade federal de Saúde; descartou a importância das vacinas; riu dos temores e lágrimas das famílias e disse aos brasileiros para parar ‘de frescura e mimimi'”, relata.

“É por isso que estamos aqui, hoje, para chamar a atenção deste Conselho e apontar a responsabilidade do Presidente Bolsonaro em promover, por palavras e atos, uma devastadora tragédia humanitária, social e econômica no Brasil”, completa Maria Hermínia.

Ainda segundo a coluna de Jamil Chade, a estratégia do Itamaraty perante as críticas é de apresentar as ações do governo, rejeitar a responsabilização pela crise e omitir iniciativas tomadas por governadores, como no caso da vacina.

No pior momento da pandemia do coronavírus no Brasil, o país registrou 1.111 vítimas fatais pela Covid-19 nas últimas 24 horas e totalizou, neste domingo (14), 278.327 óbitos. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos sete dias chegou a 1.832, mais um recorde.

Até agora, são 53 dias consecutivos com a média móvel de óbitos acima da marca de 1 mil; 17 dias acima de 1,1 mil; e pelo 15º dia a marca aparece acima de 1,2 mil. Foram 16 recordes seguidos de 27 de fevereiro até agora.

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Luisa Fragão

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