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05 de janeiro de 2020, 08h15

Bolsonaro sugere saber quem mandou matar Marielle Franco

"Tenho minhas suspeitas", disse o presidente, que morava no mesmo condomínio que o miliciano apontado como o autor do disparo que matou a vereadora

Reprodução/Twitter

Em live pelo Facebook na noite deste sábado (4), o presidente Jair Bolsonaro sugeriu, sem apresentar nenhuma outra informação adicional, que sabe quem mandou matar a vereadora Marielle Franco. “Tenho minhas suspeitas de quem matou Marielle, suspeitas apenas, né?”, disparou o capitão da reserva.

A fala se deu em um momento da live em que Bolsonaro criticava uma suposta perseguição do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Para o presidente, Witzel quer associá-lo ao caso Marielle e também associar sua família a casos de corrupção com o intuito de desgastá-lo, já que o governador teria interesse em disputar a presidência em 2022.

“Ossos do ofício, levo porrada, jogo sujo da política. Muito obrigado pelo trabalho que está sendo feito, Witzel. Um dia a justiça vai chegar”, disse, em tom irônico.

Bolsonaro, ao sugerir que tem informações sobre o caso Marielle, falava sobre o caso do porteiro do condomínio em que morava na Barra da Tijuca. Em depoimento à Polícia Civil do Rio de Janeiro, o funcionário disse que o ex-policial Élcio Queiroz, ex-policial apontado com um dos envolvidos no assassinato da vereadora, esteve no local no dia do crime e disse que iria até sua residência. Ao entrar no condomínio, no entanto, Élcio Queiroz foi até a casa do vizinho de Bolsonaro, o também ex-PM Ronnie Lessa, apontado como o autor dos disparos que mataram Marielle.

“No meu entender, ele [o porteiro] assinou sem ler, foi pressionado ou subornado. A TV Globo pôs no ar”, disse Bolsonaro.

Durante a live, o presidente ainda disse que é alvo de uma perseguição de Witzel por conta das investigações que apontam seu filho, Flávio Bolsonaro, como líder de uma organização criminosa que desviava e lavava dinheiro público através do esquema de “rachadinhas”.

Sabe demais

Essa não é a primeira vez que Bolsonaro afirma ter informações importantes sobre crimes. No ano passado, em um episódio que gerou repercussão nacional e internacional, o presidente atacou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, ao dizer que sabe o que aconteceu com seu pai, Fernando Santa Cruz, durante a ditadura militar.

“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, declarou o presidente.

Fernando desapareceu em 1974, era estudante de Direito, funcionário do Departamento de Águas e Energia Elétrica em São Paulo e integrante da Ação Popular Marxista-Leninista. No relatório da Comissão da Verdade, não há registro de participação dele na luta armada e ele também não era considerado “clandestino” ou “foragido”: tinha endereço e emprego fixos.


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