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14 de outubro de 2018, 11h22

Bolsonaro usa “guerra híbrida” com fake news para “controle de categorias”, diz especialista na área militar

Segundo Piero Lernier, a disseminação de “fake news” e as contradições (chamadas por Bolsonaro de “caneladas”) são alguns dos instrumentos de comunicação que deixam "as pessoas, as instituições e a imprensa completamente desnorteados".

Mourão e Bolsonaro (Foto: Divulgação)

Em reportagem de Guilherme Seto na Folha de S.Paulo, o antropólogo Piero Leirner, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) que estuda instituições militares há quase 30 anos, diz que a campanha do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) tem usado uma estratégia militar de “criptografia e controle de categorias, através de um conjunto de informações dissonantes”.

“É parte do que tem sido chamado de ‘guerra híbrida’: um conjunto de ataques informacionais que usa instrumentos não convencionais, como as redes sociais, para fabricar operações psicológicas com grande poder ofensivo”, diz.

Segundo ele, a disseminação de “fake news” e as contradições (chamadas por Bolsonaro de “caneladas”) são alguns dos instrumentos de comunicação que deixam “as pessoas, as instituições e a imprensa completamente desnorteados”. ” Mas, no fim das contas, Bolsonaro reaparece como elemento de restauração da ordem, com discurso que apela a valores universais e etéreos: força, religião, família, hierarquia”, relata.

Segundo Lernier, em meio ao caos instalado pelas informações falsas e dissonantes, Bolsonaro sempre surge no momento seguinte, “transportando seu carisma diretamente para as pessoas que realizaram o trabalho de repetição. As pessoas ficam com uma sensação de empoderamento, quebra-se a hierarquia. O resultado é a construção da ideia de um candidato humilde, que enfrenta os poderosos, que é ‘antissistema’”, diz o antropólogo.

Para ele, a disseminação das notícias falsas que geram o descrédito nas instituições – como políticos, imprensa, instituições judiciais, entre outras – e leva o militarismo à cena política.

“O que me pergunto é se o pessoal da ativa está preparado para perceber que um pedaço desse ‘caos’ está saindo de uma força política que se juntou com alguns dos seus ex-quadros (…) A instituição militar diz: ‘obedecemos a Constituição e nos autocontemos’. Invadir esse poder com a ‘política’ não é boa ideia”, afirma Leirner.

Leia a reportagem completa.


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