Fórum Educação
31 de março de 2020, 20h39

Bolsonaro usa pronunciamento para mentir mais uma vez sobre a OMS

Além da distorção, o presidente exaltou o auxílio emergencial de R$ 600 aprovado pelo Congresso, que ainda não foi implementado por ele, e voltou a falar na cloroquina

O presidente Jair Bolsonaro fez um novo pronunciamento em cadeia nacional nesta terça-feira (31) em razão da pandemia do novo coronavírus. O mandatário repetiu a distorção que fez da declaração do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, para dizer que está certo em defender o fim do confinamento.

Bolsonaro disse que são importantes as medidas de contenção, mas que “precisa pensar nos mais vulneráveis”. “O que será do camelô, da diarista?”, questionou o presidente ao afirmar que está seguindo recomendação da OMS.

A organização foi às redes corrigir a interpretação equivocada do presidente brasileiro alardeada na manhã desta terça-feira. “Pessoas sem fonte de renda regular ou sem qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpram as medidas de saúde pública para a Covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS”, disse o diretor-geral da OMS.

Bolsonaro ainda anunciou “medidas do governo” e citou a criação do auxílio mensal emergencial de R$600 a R$1200, que foi aprovado no Congresso Nacional por pressão da oposição e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia mas não foi implementada pelo governo.

O presidente voltou a citar a hidroxicloroquina, apesar de ressaltar que não foi comprovada a eficácia do medicamento.

Segundo reportagem da revista Crusoé, o discurso do presidente foi escrito por ele próprio e não foi revelado nem mesmo a assessores.

Enquanto o presidente fazia um pronunciamento foram ouvidos fortes panelaços em todo o país em razão da postura do ex-capitão diante do novo coronavírus. Em alguns lugares, as mobilizações nas janelas acontecem diariamente desde o dia 17 de março.

Governo em crise

O pronunciamento de Bolsonaro acontece em meio a uma enorme instabilidade em seu governo em razão da forma com que ele tem lidado com o surto do novo coronavírus. O ex-capitão chegou a chorar em uma reunião com interlocutores no Palácio do Planalto.

A crise reflete em um leque de pedidos de impeachment e afastamento do presidente. Na noite de segunda-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurelio Mello, encaminhou à Procuradoria-Geral da República uma notícia-crime apresentada pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) que pede o afastamento por 180 dias para apurar possíveis delitos do ex-capitão. O chefe da PGR, Augusto Aras disse que vai dar uam resposta em três dias.

Além disso, lideranças do campo progressista divulgaram uma carta também na segunda-feira exigindo a renúncia do presidente. “Bolsonaro não tem condições de seguir governando o Brasil e de enfrentar essa crise, que compromete a saúde e a economia”, diz o documento.

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