O que o brasileiro pensa?
01 de junho de 2020, 07h27

À Globo, Mourão garante que não vai ter golpe e diz que Bolsonaro usa “retórica inflamada”

Em entrevista de capa no Valor Econômico, Mourão sinaliza tutela em Bolsonaro e diz que é "preciso respeitar a liberdade de expressão, opinião e pensamento no país" sobre atos antifascistas pelo país

Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão (Foto: Foto: Marcos Corrêa/PR)

Em entrevista destacada na capa do jornal Valor Econômico, do grupo Globo, o vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), se fiou como garantia de que não haverá um golpe no Brasil e, em demonstração de tutela ao presidente, disse que Jair Bolsonaro se “irrita” e por isso entoa o que ele chama de “retórica inflamada”.

“Falam de golpe. Isso está totalmente fora de propósito, fora de ordem e fora de foco”, disse Mourão, que foi enfático ao ser questionado se “totalmente”. “Totalmente! Totalmente! Pode ter certeza disso”.

Para o vice, tanto Bolsonaro quanto o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que em nota falou em em “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional” ao criticar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), usam “retóricas inflamadas” e, no caso do presidente, é dominado pelo ódio.

“Acho que muita coisa é só retórica inflamada. Acho não, é retórica inflamada de ambos os lados. Existe um clima de torcida organizada para tudo, desde o remédio [a cloroquina] até decisão…”, disse, sendo interrompido pelos repórteres do jornal sobre “a polarização assustadora”.

“Esse caso do Heleno já passou. Na sexta-feira [dia 22] ele fez um desabafo com aquele encaminhamento do [ministro do STF] Celso de Mello. E o presidente se irrita. Essa é uma característica pessoal dele. A gente procura conversar com ele para ele não se irritar porque quem te irrita te domina. Ele compreende, mas tem hora que ele faz os desabafos dele”, disse, mostrando tutela a Bolsonaro.

Atos antifascistas
A entrevista foi concedida na sexta-feira, mas em nota ao jornal neste domingo (31), após os atos antifascistas pelo Brasil, Mourão afirmou que “é preciso respeitar a liberdade de expressão, opinião e pensamento no país”.

“Enquanto as atribuições dos Poderes estiverem sendo respeitadas, as decisões das autoridades acatadas e a disciplina das Forças Armadas mantida, como vem acontecendo, não há qualquer ameaça ao Estado de Direito Democrático no Brasil. É preciso respeitar a liberdade de expressão, opinião e pensamento no país e, muito particularmente, não usar a defesa da Democracia para suprimir direitos e causar instabilidade”, diz a nota, segundo o jornal.

Fake News e impeachment
Mourão ainda afirmou que o impeachment de Bolsonaro por causa das fake news é “despropositado”, mas ressalta que isso “faz parte da pressão política”.

“Querer levar para as “fake news” e dizer que isso foi abuso do poder econômico na campanha como foi a do presidente Bolsonaro – e na minha eu gastei R$ 20 mil – é despropositado. Mas faz parte da pressão política. Querer desqualificar a eleição do presidente Bolsonaro por fatos dessa natureza é totalmente inadequado. Quanto ao impeachment, não vejo clima no Congresso para isso e, a partir do momento em que estiver azeitado o relacionamento com os partidos políticos do chamado Centrão, dificilmente evolui”, disse, em relação à cooptação que o governo tem feito de políticos do Centrão após Bolsonaro montar um balcão de negócios no Planlato.

“Agora o presidente mudou a forma de se relacionar com o Congresso e está buscando formar uma base. Aí sentam o dedo em cima nele: ‘Ah! Você está se unindo com o Centrão’. Com quem ele vai se unir? Aí todos criticam. Você fica entre a cruz e a espada. Se não faz está errado e se faz está errado também. O que acontece, eu vejo, é que a relação entre Executivo e Legislativo vai se harmonizar. ‘Ah, mas vai ter cargos!’ Isso faz parte, sempre fez”.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum