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28 de setembro de 2019, 17h49

Antes de ser índia símbolo do bolsonarismo, Ysani era fã de Jean Wyllys

Em 2013, ela participou do 10º Seminário LGBT do Congresso Nacional, a convite do ex-parlamentar do PSOL, e se disse privilegiada por ter sido chamada “pelo grande deputado Jean Wyllys"

Foto: Reprodução/Instagram

Ysani Kalapalo ficou conhecida depois que despertou a ira de lideranças indígenas do Xingu, sua terra natal, por ter acompanhado Jair Bolsonaro à Assembleia Geral da ONU. Ela foi mencionada no discurso do presidente como aquela capaz de “externar toda a realidade vivida pelos povos indígenas do Brasil”.

No entanto, Ysani não foi sempre a índia símbolo do bolsonarismo e da direita. Antes de mudar de posição, ela falava bem de feminismo, LGBT e sexualidade “moderna” nas aldeias e mal da catequização dos povos. Além disso, por mais surpreendente que seja, era fã de Jean Wyllys, ex-deputado federal do PSOL, que dizia admirar “desde a época do ‘Big Brother”, de acordo com reportagem de Anna Virginia Balloussier, da Folhapress.

Em 2013, Ysani participou do 10º Seminário LGBT do Congresso Nacional, a convite do ex-parlamentar do PSOL. Na época se disse privilegiada por ter sido chamada “pelo grande deputado Jean Wyllys”.

Mudança

De uma hora para outra, a índia youtuber do povo kalapalo, no Alto Xingu (MT), mudou o discurso e passou a apoiar o atual presidente já durante a campanha eleitoral de 2018.

Ysani, que acredita ter 28 anos (seu povo não conta idade), levou a sério a narrativa de Bolsonaro e chegou a atacar o cacique Raoni, símbolo da defesa da cultura indígena.

“Já estive algumas vezes com Raoni, ele é um senhorzinho muito interessante para bater um papinho. Gosto dele, só que ele muitas vezes já foi usado pelas ONGs e partidos de extrema esquerda”, postou certa vez.

Ysani é dona de um canal no YouTube com 283 mil inscritos. Publicou uma conversa com o então pré-candidato Bolsonaro e nela questionou se era verdade que ele expulsaria índios de suas terras e mexeria em demarcações. Ele negou e atribuiu a “fake news” ao PT. Depois de eleito, a realidade foi outra.


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