Após passeio no DF, Bolsonaro ataca imprensa: “Que nem um canalha publique que eu fui passear”

"Não fui passear, fui ver o povo", disse o presidente, que criticou jornalistas por ser visto como o "único problema" no combate ao Coronavírus. "O alvo sou eu, se eu sair entrar um outro aqui, entrar o Haddad, vai resolver o problema", ironizou

Jair Bolsonaro negou na manhã desta segunda-feira (30) que tenha saído para passear neste domingo (29), quando andou pela região de Taquatinga, no Distrito Federal, contrariando as recomendações de isolamento da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do próprio Ministério da Saúde e responsabilizou “a imprensa que não tem caráter”, como um dos problemas causados pela pandemia do coronavírus.

“Não fui passear, fui ver o povo”, disse Bolsonaro após dizer que está “ciente da minha responsabilidade”. “O vírus veio de fora para dentro e temos que buscar uma solução para minimizar isso. Vai morrer gente? Tem vacina? Não. Tem remédio? Não. Mas tem outro problema: a imprensa que não tem caráter”.

O presidente ainda criticou por ser visto como “o único problema” na condução do combate à Covid-19. “O alvo sou eu, se eu sair entrar um outro aqui, entrar o Haddad, vai resolver o problema”, ironizou.

Bolsonaro relatou que foi ver a realidade de parte dos 38 milhões de brasileiros que vivem na informalidade e já perdeu emprego, citando como exemplo o contato com uma “senhora” que tem nove dependentes e “não tem mais nada para levar para casa”.

Confrontando apoiadores que o adulavam na saída do Palácio da Alvorada com os jornalistas, o presidente perguntou se os repórteres trabalhavam “para levar informação ou um prato de comida para casa”, acusou de que ninguém ali conhecia a realidade e fez um convite para acompanhá-lo em um novo passeio por regiões periféricas do país.

“Vocês querem ir comigo?”, indagou. “E que nem um canalha publique eu fui passear. Não vou furtar da minha responsabilidade em troca de ser bem tratado por vocês”, completou, restringindo as perguntas.

Segundo Bolsonaro, “o caos social é Terreno fértil para os aproveitadores chegarem ao poder. “A desgraça vai ser implantada no Brasil e os oportunistas de sempre vão chegar ao poder e nunca mais vão sair”, disse, citando a “Venezuela”.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.