Auxílio-paletó: Governo já gastou R$ 246 milhões com privilégio para militares de alta patente

Benefício existe desde 2001 para custear gastos com roupas para o trabalho, o que na prática serve como privilégio remuneratório para militares de alta patente

Em meio à recessão econômica e PIB patinando, chamam a atenção os gastos altos do governo de Jair Bolsonaro (PSL) com benefícios para militares. Nos seis primeiros meses de 2019, o governo já gastou R$ 246 milhões com o chamado “auxílio-paletó”, um benefício para custear gastos com roupas para o trabalho, o que na prática serve como privilégio remuneratório para militares de alta patente. Os gastos deste ano foram 19% maiores do que os R$ 207 milhões desembolsados no mesmo período do ano passado.

Os dados, apurados pela ONG Contas Abertas a pedido do UOL, apontam para um aumento de 850% de 2012 a 2018. De um modo geral, o investimento no auxílio permaneceu crescente ano após ano, com pequenas variações. Saltaram para R$ 422 milhões, em 2014, e R$ 428 milhões, em 2015. Recuaram para R$ 401 milhões em 2016 e voltaram a subir no ano seguinte (R$ 423,4 milhões), caindo para R$ 355,4 milhões no ano passado.

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Especialistas consideram que o auxílio-paletó não é benefício, mas sim privilégio. “É um acinte às outras categorias”, opinou o cientista político e professor de história na UFSC, Waldir Rampinelli, que chamou o bônus de “penduricalho”.

A medida foi regulamentada em Medida Provisória (MP) de 2001 e beneficia, principalmente, os oficiais de alta patente do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Os auxílios podem chegar a R$ 13,4 mil quando se trata de general de Exército, almirante de esquadra ou tenente-brigadeiro. Diz a MP que o militar tem direito a um soldo “a cada três anos quando permanecer no mesmo posto ou graduação”.

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