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27 de maio de 2020, 07h25

Banco do Brasil gasta R$ 119 milhões em publicidade e financia site de fake news bolsonarista

Defensor da privatização, Rubem Novaes, presidente do Banco do Brasil vira alvo potencial de inquérito do STF que investiga rede de fake news que ataca os que são considerados inimigos de Bolsonaro

Rubem Novaes e Paulo Guedes, observados por Mourão, Bolsonaro e Onyx Lorenzoni (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil))

“Pronto pra ser privatizado”, como definiu o ministro da Economia, Paulo Guedes, o Banco do Brasil gastou R$ 119 milhões em publicidade no ano de 2019 e foi um dos braços do governo para financiar sites de fake news pró-Jair Bolsonaro, como é o caso do Jornal da Cidade Online.

Defensor das políticas neoliberais e da privatização do banco, Rubem Novaes, presidente da instituição pode ir parar no inquérito de fake news do STF, de relatoria de Alexandre de Moraes. O TCU analisa o repasse de verba do banco para sites acusados de publicar notícias falsas. Um dos pedidos é para que os autos sejam encaminhados para o Supremo.

O Banco do Brasil voltou atrás da decisão de retirar anúncios do site de fake news Jornal da Cidade Online após reclamação do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) nas redes sociais.

Alertado pelo movimento Sleeping Giants Brasil, na quarta-feira (20) o Banco do Brasil anunciou via redes sociais que “repudiamos qualquer disseminação de fake news” e anunciou a retirada e o bloqueio de anúncios no site. No mesmo dia, o filho de Jair Bolsonaro compartilhou o tuíte reclamando que “o marketing do Banco do Brasil pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas”.

A área técnica, da qual faz parte o filho do general Mourão, Antônio Mourão, considerou excessivo o veto ao site por produção de conteúdo falso. O presidente do banco, Rubem Novaes, defendeu o desbloqueio.

“Porra” do Banco do Brasil
Novaes disse na reunião ministerial de 22 de abril, tornada pública por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que o Banco do Brasil estaria pronto para um programa de privatização.

A proposta foi colocada na discussão depois que Guedes reclamou da instituição, que, segundo ele, não é nem pública, nem privada. “O Banco do Brasil não é tatu nem cobra porque ele não é privado, nem público. Se for apertar o Rubem, coitado. Ele é super liberal, mas se apertar ele e falar: ‘bota o juro baixo’, ele: ‘não posso, senão a turma, os privados, meus minoritários, me apertam.’ . Aí se falar assim: ‘bota o juro alto’, ele: ‘não posso, porque senão o governo me aperta.’. O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”, afirma Guedes, que ressaltou que “tem que privatizar a porra do Banco do Brasil”.

Em seguida, o ministro da Economia sugere que Rubem Novaes tem um “sonho” em relação à privatização do Banco do Brasil e pede que ele confesse. O incentivo é interrompido pelo presidente Jair Bolsonaro, que rejeita privatizar o banco antes de 2023, ou seja, da eleição presidencial.

“Deixa para depois, confessa não. Faz assim: só em vinte e três [2023] você confessa, agora não”, diz Bolsonaro. “Isso aí [privatização do Banco do Brasil], isso aí só se discute. Só se fala isso em vinte e três, tá?”, explica.


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