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31 de agosto de 2019, 07h31

Bolosonaro faz Nestlé cogitar não comprar carne e cacau produzidos na Amazônia

A empresa, que possui 31 fábricas no Brasil, disse estar "profundamente preocupada" com a devastação da Amazônia e pretende rever a compra de subprodutos da região

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O boicote aos produtos brasileiros por conta do avanço do desmatamento e das queimadas na Floresta Amazônica pode chegar também à multinacional alimentícia Nestlé. A empresa, que tem 31 fábricas no Brasil, anunciou estar “profundamente preocupada” com a devastação da floresta e que está revendo a compra de subprodutos de carne e cacau da região.

Depois de 18 marcas internacionais de vestuário cancelarem a compra de couro brasileiro, foi a vez da Nestlé se posicionar e afirmar que pretende rever suas políticas com relação a produtos de origem amazônica para garantir alinhamento com o padrão de fornecimento responsável.

“Desenvolvemos o Padrão de Fornecimento Responsável da Nestlé, que nossos fornecedores precisam respeitar e aderir em todos os momentos. Se forem identificadas lacunas, nos envolvemos com os fornecedores para entregar planos de mitigação e rastrear a eficácia das ações tomadas”, disse a empresa em nota, destacando o óleo de palma, soja, carne e cacau.

A Nestlé ainda destaca que se comprometeu, em 2006, com a Moratória da Soja. “Nos comprometemos com a Moratória da Soja da Amazônia, um acordo voluntário liderado pela indústria para garantir que, desde 2006, os comerciantes não comprem soja cultivada na Amazônia em terras desmatadas. Nós também monitoramos nossos fornecedores de carne por meio de monitoramento por satélite”, destacou.

Desde 1921 no Brasil, a Nestlé possui 31 fábricas espalhadas pelo território nacional e é responsável por 20 mil postos de trabalho diretos e 200 mil indiretos.

Nestlé e as águas

Apesar do compromisso com a região amazônica, a Nestlé é alvo de muitas críticas, que remontam desde 2014, com relação às águas no Brasil. Em março do ano passado, a empresa foi alvo de protestos durante o Fórum Internacional das Águas devido ao interesse da multinacional em privatizar o aquífero Guarani com a chancela do então presidente Michel Temer. A sede da Nestlé em São Lourenço, Sul de Minas Gerais, foi ocupada por 600 mulheres sem terra.


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