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22 de agosto de 2019, 17h47

Bolsonarista, Carlos Vereza diz que gestão cultural está sendo maltratada

“O fato de eu ter votado nele não significa que seja um fanático. A formação dele faz com que priorize certas imagéticas militares, com as quais não concordo”, afirmou o ator

Foto: Divulgação

A trajetória política do ator Carlos Vereza é, no mínimo, paradoxal. Por mais de 20 anos integrante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), período que vivenciou a ditadura militar, de alguns anos para cá se transformou em um dos mais ferozes críticos da esquerda. Para culminar a mudança radical, votou e fez campanha para Jair Bolsonaro.

Durante as eleições de 2018, enquanto a maioria dos artistas, antevendo o desastre que aconteceria, encampava a campanha #EleNão, Vereza visitava Bolsonaro no hospital, “pelas crianças, pela família e pelo país”.

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Ex-comunista, o agora “anti-ideologia de gênero”, espírita e observador de óvnis começa a fazer as primeiras críticas à atuação de Bolsonaro, em entrevista a Luis Lima, da Época.

Embora diga que ainda não faz parte da turma dos arrependidos de terem votado no militar do PSL, Vereza desaprova a forma pela qual o presidente conduz seu setor de atuação: “Bolsonaro está tratando mal a gestão cultural”, disse.

Apesar disso, o ator não responsabiliza Bolsonaro: “Está tratando mal, por preconceito, não dele, mas de assessores. O fato de eu ter votado nele não significa que seja um fanático. A formação dele faz com que priorize certas imagéticas militares, com as quais não concordo. Não posso pedir a Bolsonaro que seus ídolos sejam Baudelaire, Rimbaud ou Velázquez. De acordo com o passado, ele tem a percepção de que a cultura foi muito usada e explorada de maneira errada, e partiu para o extremo oposto”.

Questionado sobre seu posicionamento em relação às críticas de Bolsonaro à Ancine, Vereza afirmou: “Há pessoas mais flexíveis que estão explicando que a Ancine não é o bandido da história. O problema era como usavam o dinheiro dela. Ele, que já ia acabar com a Ancine, não vai mais. Ele, que ia acabar com a Lei Rouanet, não vai mais. Inclusive ia fazer algo errado: transferir todos os funcionários da Ancine (do Rio de Janeiro) para Brasília, e não tem como. Os caras são concursados. Acho que ele ainda tem um viés meio sectário em relação à cultura, porque foi muito agredido pelos colegas. Acho que ainda tem um resquício meio de vingança”, defende.

“Deveria ficar quieto”

O ator também não concorda com a forma como o presidente se expressa: “Acho que o Bolsonaro tem de ter um cuidado para falar. Uma coisa é ele falar como deputado, outra coisa é falar como presidente. O que ele fala tem peso na Bolsa, no dólar. Porque, quando fala, presume-se que tem atrás dele a equipe econômica. Como presidente, deveria ficar quieto”.

Em relação a estar arrependido de votar em Bolsonaro, o paradoxo volta: “Não me arrependi, por enquanto. Mas posso mudar de ideia, porque sou dialético. O único apoio incondicional que dou é a Jesus — esse não erra. Estou olhando. Até agora o governo dele é muito bom. É que não divulgam o que ele faz de bom”.


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