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06 de setembro de 2019, 06h24

Bolsonaro acumula calote de R$ 1,7 bilhão na ONU

Influenciado sobretudo por doutrinados de Olavo de Carvalho, Bolsonaro e o chefe da diplomacia brasileira, Ernesto Araújo, veem a entidade como inimiga, que tenta impor um governo mundial

Bolsonaro durante visita a Israel (Arquivo)

Inimigo declarado da Organização das Nações Unidas – a quem acusa de querer impor o “globalismo” -, o governo Jair Bolsonaro acumula um calote de US$ 433,5 milhões, valor que ultrapassa R$ 1,7 bilhão, referente às contribuições obrigatórias dos países que fazem parte do órgão multilateral.

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Segundo reportagem de Jamil Chade, no portal Uol, dados oficiais da secretaria-geral da ONU revelam que que, nos oito primeiros meses do mandato, o Palácio do Planalto não destinou nenhum centavo ao orçamento regular da entidade.

Contribuição
Cada país, pelas regras votadas por eles mesmos, paga uma parcela desse orçamento, com base no tamanho de sua economia e nível de desenvolvimento.

Após uma revisão em 2011, a contribuição brasileira passou de 1,4% do total do orçamento da ONU para 2,9%, o décimo maior aportador de dinheiro no sistema. Já o governo americano arca com quase 25% do orçamento da ONU, ainda que, nos últimos anos, também tenha acumulado atrasos.

Tirar o Brasil da ONU
Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro ameaçou diversas vezes tirar o Brasil da ONU, caso fosse eleito presidente. A repercussão negativa fez com que ele voltasse atrás antes mesmo do primeiro turno.

Influenciado sobretudo por doutrinados de Olavo de Carvalho, Bolsonaro e o chefe da diplomacia brasileira, Ernesto Araújo, veem a entidade como inimiga, que tenta impor um governo mundial em uma tese que eles definem como globalismo – ignorando o poder do sistema financeiro internacional e das empresas transnacionais que atuam nesse sentido.

Durante o governo, Bolsonaro já fez diversas ameaças à ONU, como tentar impedir a conferência climática já agendada para acontecer no Brasil. O último ataque, com grande repercussão internacional, mirou a comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet.


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