Bolsonaro ameaça STF e diz que aguarda “sinalização do povo” para tomar “providências”

"Amigos do Supremo Tribunal Federal, daqui a pouco vamos ter uma crise enorme aqui", disse Bolsonaro, afirmando que "é uma interferência, sim, desse ministro junto ao Senado para me atingir", sobre decisão de Barroso para criar CPI. Assista

Em conversa de mais de 20 minutos com apoiadores na portaria do Palácio da Alvorada nesta quarta-feira (14), quando a decisão do ministro Luís Roberto Barroso, de determinar a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 pelo Senado, será levada ao plenário da corte, Jair Bolsonaro voltou a fazer ameaças à democracia e disse que só aguarda “a sinalização do povo” para tomar “providências”.

“O pessoal fala que eu preciso tomar uma providência. Eu tô aguardando o povo dar uma sinalização. Porque a fome, a miséria, o desemprego tá aó, só não vê quem não quer”, disse Bolsonaro, ameçando diretamente o Supremo.

“Amigos do Supremo Tribunal Federal, daqui a pouco vamos ter uma crise enorme aqui”, afirmou, olhando para a câmera do perfil bolsonarista no Youtube que o acompanha.

“Estamos na iminência de ter um problema sério no Brasil. Parece que é um barril de pólvora que está ai. Tem gente de paletó e gravata que não está enxergando isso ai”, disse Bolsonaro, que repetiu as ameaças ao longo da conversa.

O presidente ainda citou nominalmente Luís Roberto Barroso, responsável pela decisão judicial que implicou na abertura da CPI, dizendo que o ministro do STF interferiu no legislativo.

“É uma interferência, sim, desse ministro junto ao Senado para me atingir. Agora, repito, a temperatura está subindo, a população está em uma situação cada vez mais complicada”, disse Bolsonaro, ressaltando que “alguns querem que eu tome a providência já. As pessoas tem que tomar consciência do que está acontecendo”.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.