Bolsonaro ataca Lula, CPI, Barroso e diz que “inventaram corrupção virtual” sobre Covaxin

Aprofundando sua teoria da conspiração, Bolsonaro disse que as pesquisas que colocam Lula à frente fazem parte da "narrativa" da fraude e que "o ideal" seria que ele não precisasse de partido para concorrer à reeleição. "Eu tenho que ir para o número 31. Não tem como travar o 3 e o 1 porque dá 13"

Em conversa com apoiadores na manhã desta segunda-feira (28), Jair Bolsonaro (Sem partido) ironizou as denúncias sobre suposto esquema de corrupção na compra da vacina Covaxin e, para desviar o foco, voltou a atacar o sistema de votação, Lula, a CPI do Genocídio e o ministro Luis Roberto Barroso, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de quem exigiu “provas de que não há fraude” nas eleições, invertendo a lógica jurídica de que quem acusa deve provar.

“Inventaram a corrupção virtual, né? Não recebemos uma dose, não pagamos um centavo”, disse sobre as denúncias feitas pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF) e o irmão, o servidor público Luís Ricardo Miranda.

“Não tem nada errado aqui. Foi corrigido depois que o deputado veio aqui, porque aqui vem tudo que é tipo de gente. Não posso falar, você é deputado deixa ver sua ficha. Ele que me apresentou, eu nem sabia como estavam as tratativas da Covaxin”, disse o presidente, sem se aprofundar no assunto. “Eu não tenho como saber o que acontece nos ministérios. Vou na confiança em cima de ministros e nada fizemos de errado”, agregou.

Aos bolsonaristas, o presidente aprofundou a teoria da conspiração de que há fraude no sistema de votação para favorecer o ex-presidente Lula.

“Não era só para presidente. Quem votou naquela sessão deputado, senador, não podia apertar o número 7 que tava travado. Colocaram super bonder. Eu tenho que ir para o número 31. Não tem como travar o 3 e o 1 porque dá 13, né?”, ironizou ao falar da eleições de 2018, quando Lula foi impedido pela Justiça de entrar na disputa e o candidato petista, Fernando Haddad, foi derrotado no segundo turno. “Ninguém reclamou que ia votar no 13 e não conseguiu votar. Ninguém. Só Barroso não viu isso”, completou.

Segundo Bolsonaro, há uma “narrativa” sendo construída para que a fradeu ocorra em 2022 e as pesquisas eleitorais fariam parte dela.

“O Instituto Ipec ai deu 49% para o Lula, né? Em cima disso, falam: ‘não… como Bolsonaro é grosso, fala palavrão, as mulheres não votam nele’. […] Geralmente ele não usa máscara, então não vou votar nele. Mas, que é que falou: ‘ainda bem que apareceu o vírus ai’? Quem é que falou?”, indagou Bolsonaro, sobre frase distorcida de Lula que circula nas redes de apoiadores.

Provas
O presidente ainda exigiu de Barroso que apresente provas de que “não há fraude” no sistema eleitoral.

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“Quando algumas autoridades pedem que eu apresente provas de que há fraude [nas eleições]. Eu peço que eles apresentem provas de que não há fraude. Vem alguns deles, engravatado, fala mansa: ‘nunca houve nada de concreto que pudesse suspeitar de fraude’. Se você apertar o botão 10 mil vezes, vai sempre dar o mesmo resultado. Entre os computadores da Nasa, dos ministérios aqui, do próprio TSE… É um jogo de poder. Nós desconfiamos de tudo ou não? São não pode desconfiar do sistema eleitoral”, ironizou.

Bolsonaro ainda afirmou que “o ideal” seria que, diante da recusa de partidos para abrigá-lo, ele não precisasse de nenhuma sigla para disputar a reeleição.

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“O ideal é que você não precisasse de um partido para disputar eleição. Seria o ideal. Agora, os partidos, todos têm seus problemas. Por mim, eu já tinha escolhido o partido. O PSL mesmo. A minoria fazendo besteira”, afirmou.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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