Bolsonaro ataca MST na semana em que se completa 25 anos do massacre de Eldorado do Carajás, diz Movimento Sem Terra

Em publicação nas redes sociais, Bolsonaro tentou atribuir violência contra duas famílias que vivem no assentamento São João, no sul da Bahia, ao movimento. "O MST não tem nenhum envolvimento no caso e espera que as investigações encontrem os responsáveis"

O Movimento Sem Terra (MST) rechaçou, em nota à Fórum nesta quarta-feira (14), à tentativa de Jair Bolsonaro (Sem partido) de envolver o movimento em um caso de violência contra duas famílias que vivem no assentamento São João, na cidade de Prado, extremo sul da Bahia.

“O MST não tem nenhum envolvimento no caso e espera que as investigações encontrem os responsáveis”, disse a assessoria do movimento.

Na nota, o MST afirma ainda que Bolsonaro deveria se preocupar com o avança da pandemia, que já matou mais de 358 mil brasileiros, em vez de atacar o movimento de trabalhadores rurais.

“Bolsonaro deveria estar preocupado com o avanço da pandemia de coronavírus – que tirou a vida de 360 mil pessoas, infectou 14 milhões de pessoas, tirou o emprego e jogou milhares de famílias na pobreza e levou a falência centenas de micro, pequenas e médias empresas – em vez de usar de atacar o MST na semana em que o Massacre de Eldorado do Carajás completa 25 anos”.

Neste sábado, 17 de abril, o massacre que resultou no assassinato de 19 trabalhadores sem-terra na cidade do sul do Pará completa 25 anos. Em maio de 2012, o coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira foram presos, condenados, o primeiro a 228 anos e o segundo a 158 anos de reclusão, pelo massacre.

Bolsonaro
Acuado diante da CPI da Covid-19, Bolsonaro foi às redes na manhã desta quarta-feira, divulgou o vídeo de uma das vítimas da violência na região do Prado e atribuiu ao MST.

“A Força Nacional foi para lá para proteger essas pessoas da violência do MST, mas o Ministro Fachin/STF, a pedido do governador Rui Costa/PT, mandou-a se retirar”, escreveu Bolsonaro no Facebook.

Em nota, o Incra afirmou que a área onde essas famílias moram é uma propriedade privada e não integra as políticas públicas do Plano Nacional de Reforma Agrária.

O delegado responsável pelas investigações disse que as pessoas envolvidas podem responder por crimes de dano, ameaça, cárcere privado, lesão corporal e associação criminosa. Até o momento, nenhum suspeito foi localizado.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.