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23 de janeiro de 2020, 14h59

Bolsonaro aumentou em R$ 15 milhões valor da auditoria da “caixa-preta” do BNDES

O banco não se manifestou sobre os motivos do reajuste milionário faltando poucos meses para finalizar a auditoria

Paulo Guedes, Jair Bolsonaro e Gustavo Montezano, presidente do BNDES - Foto: Agência Brasil

O BNDES aumentou em 3,5 milhões de dólares, cerca de 15 milhões de reais, o valor da auditoria que prometia abrir a “caixa-preta” da instituição, sob a tutela de Gustavo Montezano.

O reajuste de 25% veio por meio de um aditivo contratual, em outubro de 2019, e aumentou de 14 para 17,5 milhões de dólares o contrato da Cleary Gottlieb Steen & Hamilton, escritório que foi contratado para fazer os serviços de auditoria. Conforme extrato do aditivo obtido pela reportagem do Estadão, a transação foi autorizada pela atual diretoria do BNDES.

Ainda segundo o Estadão o banco contratou, pelo valor de R$ 48 milhões, um escritório estrangeiro que não viu indícios de corrupção em ao menos oito operações do banco com o grupo J&F.

Nesta quarta (22), no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Gustavo Montezano chegou a responsabilizar a gestão de Michel Temer pelo custo milionário do contrato com a Cleary.

O economista afirmou que 90% da auditoria contratada para abrir a “caixa-preta” do banco estavam concluídos quando assumiu o cargo, em julho do ano passado.

Paulo Rabello de Castro, que presidiu o BNDES de junho de 2017 até abril de 2018, disse que ficou “surpreso” com o valor de R$ 48 milhões pago pela instituição brasileira a um escritório estrangeiro. De acordo com ele, a cifra desembolsada é “quatro a cinco vezes maior” do que aprovou em sua gestão. Rabello disse também que enviou uma carta a Montezano pedindo a divulgação e o esclarecimento de informações sobre o contrato, inclusive o valor inicial e a realização de eventuais aditivos.

O aditivo veio quando faltavam menos de dois meses para o fim da auditoria e a divulgação do relatório de oito páginas pelo banco. Na reunião do conselho de administração do BNDES de 22 de julho de 2019, foi autorizada a realização de um serviço complementar, “para fins de conclusão do processo de investigação independente das operações com o Grupo J&F”, por parte da Cleary.

“Tal atribuição implicará um custo de US$ 2.085.800,00 (dois milhões, oitenta e cinco mil e oitocentos dólares) para o mencionado escritório e de US$ 1.096.574,00 (um milhão, noventa e seis mil, quinhentos e setenta e quatro dólares) para a subcontratada Protiviti”, diz trecho da ata obtida pelo Estadão.

Sem explicações

O BNDES não explicou se esse valor está dentro do aditivo de R$ 25%. O banco também não se manifestou sobre os motivos do reajuste milionário faltando poucos meses para finalizar a auditoria.

A agenda oficial de Montezano mostrou que ele tinha interesse de ver de perto o processo de auditoria. Uma semana após a publicação do aditivo, o presidente do banco teve uma reunião por videoconferência com três advogados da Cleary. A agenda oficial de Montezano também registrou uma reunião oficial com representantes do escritório.

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