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05 de agosto de 2019, 08h36

Bolsonaro censura publicidade do projeto de Moro por mostrar ferido a tiros por fazendeiro

Peça, proposta pelo ministério de Moro para defender a prisão em segunda instância, mostraria caso de fazendeiro que segue impune. Vídeo foi censurado por Bolsonaro por contrariar bancadas da "bala, Bíblia e boi"

Foto: Divulgação/MJSP

A Secretaria de Comunicação da Presidência, que responde diretamente às demandas de Jair Bolsonaro (PSL), censurou a proposta de uma propaganda para divulgação do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro, que conta a história de um homem ferido por tiros e que tem a bala alojada no corpo há 27 anos. Em abril, Bolsonaro já havia censurado uma propaganda do Banco do Brasil com foco na diversidade.

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Segundo a coluna da jornalista Bela Megale, na edição desta segunda-feira (5) do jornal O Globo, a censura se deu porque a história contada contraria bandeiras das bancadas da “bala, Bíblia e boi”. Moro teria ficado chateado com o veto.

Na propaganda, em vídeo, Dirceu Moreira Brandão Filho, 53 anos, que mora em Passos, no sul de Minas, contaria sua história, ocorrida em 1991, quando foi baleado pelo fazendeiro Omar Coelho Vitor em um feira agropecuária da cidade.

O fazendeiro teria dado cinco tiros – dois deles acertaram a boca e a nuca – no rapaz, alegando que ele teria “cantado” a sua esposa. Dirceu ficou cinco dias em coma e tem uma bala alojado no corpo até hoje.

O caso foi o pivô da primeira decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o cumprimento de pena após uma condenação em segundo instância, em 2009. Na ocasião, a corte decidiu que o fazendeiro deveria ficar em liberdade até o processo transitar em julgado.

O objetivo Ministério da Justiça era usar o caso de Brandão Filho para defender um dos principais pontos do pacote anticrime do ministro, sobre o cumprimento de prisão em segunda instância.


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