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06 de setembro de 2019, 10h48

Bolsonaro e Guedes articularam com banqueiros “pacote de combate ao desemprego”

Candido Bracher, presidente do banco Itaú, comemorou recentemente o alto índice de desemprego por permitir um "crescimento sem pressão inflacionária". Sindicato dos Bancários de São Paulo denuncia que o Itaú instalou um "clima de terror" por causa da reforma trabalhista. "Os bancários estão inseguros e adoecendo por causa das mudanças"

Paulo Guedes e Bolsonaro. (Reprodução)

Anunciado como uma grande – e primeira – ação do governo Jair Bolsonaro no combate ao desemprego, as propostas elaboradas pelo ministro Paulo Guedes tiveram o aval de um “grupo seleto” de banqueiros e executivos, antes de serem anunciadas ao público, o que deve ocorrer nos próximos dias.

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Em entrevista à Folha de S.Paulo no dia 30 de julho, Candido Bracher, presidente do banco Itaú, comemorou os altos índices de desemprego – que atinge cerca de 12 milhões de brasileiros, com outros 42 milhões no mercado informal – por permitirem um “crescimento sem pressão inflacionária”.

“Quando tem fator de produção sobrando tanto, significa que podemos crescer sem pressões inflacionários”, afirmou. “Isso deixa a situação macroeconômica do Brasil tão boa quanto nunca vi na minha carreira”, disse ainda Bracher, que tem experiência atua há quase 40 anos no sistema financeiro.

Em texto divulgado no último dia 30 em seu site, o Sindicato dos Bancários de São Paulo denuncia que o Itaú está instalando um clima de terror por causa da reforma trabalhista, do avanço da automação dos processos e do plano de demissão voluntária. “Os bancários estão inseguros e adoecendo por causa das mudanças”.

Segundo o sindicato, o Itaú está se valendo amplamente dessa ”flexibilização” para reduzir os seus custos trabalhistas e aumentar ainda mais os seus lucros estratosféricos, que chegou a R$ 13,911 bilhões no 1º semestre, um crescimento de 8,7% em relação ao mesmo período de 2018.

Propostas
Entre as principais medidas da proposta de Bolsonaro e Paulo Guedes está a liberação de cerca de R$ 65 bilhões em depósitos recursais, que são valores depositados em juízo pelas empresas que tenham condenação trabalhista, mas recorreram da sentença. Ou seja, um dinheiro que não é do governo e pode prejudicar aqueles que têm indenização por questões trabalhista a receber.

Além disso, o governo quer fazer parcerias com agências privadas de emprego em vez de aprimorar a esturuta do Fundo de Amparo Ao Trabalhador (FAT), que já conta com agências públicas de recolocação profissional.

Entre outras propostas listadas ainda estão a “redução de aposentadorias por invalidez”, reabilitando trabalhadores afastados por ordem médica, a reformulação das MEIs e o uso de recursos do Sistema S para bancar a desoneração da folha de pagamento.


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