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17 de fevereiro de 2020, 08h27

Bolsonaro em 2003: Grupos de extermínio na Bahia e no RJ são muito bem-vindos

Bolsonaro fez em 2003, quando já mantinha contato com policiais que montavam milícias, uma enfática defesa dos grupos de extermínio na Câmara dos Deputados. Ouça

Os amigos Alberto Fraga e Jair Bolsonaro - Foto: Arquivo

Com um histórico de quase 30 anos de impropérios e falácias na Câmara Federal, muitas vezes usadas em favor de milícias, Jair Bolsonaro fez em 2003, quando já mantinha contato com policiais que montavam milícias – como é o caso do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz -, uma enfática defesa dos grupos de extermínio no Rio de Janeiro e na Bahia.

“Quero dizer aos companheiros da Bahia — há pouco ouvi um parlamentar criticar os grupos de extermínio — que enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo. Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o meu apoio, porque no meu Estado só as pessoas inocentes são dizimadas. Na Bahia, pelas informações que tenho — lógico que são grupos ilegais —, a marginalidade tem decrescido. Meus parabéns!”, disse Bolsonaro em plenário.

Ouça:

Morto em ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Bahia, o miliciano Adriano da Nóbrega, que foi condecorado por Flávio Bolsonaro em 2005 a mando do pai, Jair, além de comandar o Escritório do Crime, braço de execução da milícia de Rio das Pedras, é investigado por montar milícias em terras baianas.

Herói

Depois de classificar o Adriano da Nóbrega como “herói” e dizer em entrevista que foi ele quem mandou o filho, Flávio Bolsonaro, condecorar o miliciano na Alerj em 2005, Bolsonaro soltou nota neste sábado (15) nas redes sociais em que compara a morte do ex-capitão do Bope à da vereadora Marielle Franco (PSOL), executada em 2018, e do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002.

“Os brasileiros honestos querem os nomes dos mandantes das mortes do prefeito Celso Daniel, da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, do ex-capitão Adriano da Nóbrega, bem como os mandantes da tentativa de homicídio de Jair Bolsonaro”, diz a nota divulgada em seu perfil e assinada por ele.

Bolsonaro ainda levanta suspeitas sobre o governador da Bahia, o petista Rui Costa, dizendo que ele “não só mantém fortíssimos laços de amizades com bandidos condenados em segunda instância, como também lhes presta homenagens, fato constatado pela sua visita ao presidiário, Luis Inácio Lula da Silva, em Curitiba, em 27 de junho de 2019”.

“A atuação da PMBA, sob a tutela do governador do Estado, não procurou preservar a vida de um foragido, e sim sua provável execução sumária, como apontam os peritos consultados pela revista Veja”, afirma, comparando ao caso Celso Daniel, “onde seu partido, o PT, nunca se preocupou em elucidá-lo, muito pelo contrário”.

Covarde

Em nota assinada pela deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidenta nacional da sigla, divulgada neste domingo (16), o Partido dos Trabalhadores (PT) diz que “Jair Bolsonaro é viciado em mentir” e desafia o presidente a explicar suas ligações com o “mundo do crime”.

“Bolsonaro tem sim de explicar suas ligações e de sua família com o mundo do crime, antes de lançar mentiras e insultos contra o PT. Nossos dirigentes enfrentaram e responderam na Justiça todas as denúncias, mesmo as mais falsas, em processos marcados pela parcialidade, como está evidente no caso do ex-presidente Lula. Não fugiram de suas responsabilidades, não se esconderam, não mentiram. E a cada dia que passa a verdade vai ficando mais clara sobre esses processos de mentiras e perseguição. Não há nenhum Queiróz no PT, nenhum Adriano. Nenhum foragido, protegido pela PF, pelo Ministério da Justiça ou pela Presidência da República”, diz a nota.


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