No rastro do óleo do Nordeste
07 de novembro de 2019, 14h19

Bolsonaro joga tudo em acordo com evangélicos para manter base popular

Católico declarado, mas batizado nas águas do Rio Jordão pelo ex-colega de Câmara, Pastor Everaldo, Bolsonaro sabe que é o eleitorado evangélico que pode garantir os 30% imprescindíveis para tentar uma reeleição em 2022

R.R. Soares e Bolsonaro (Reprodução)

Durante as eleições 2018, Jair Bolsonaro fez um grande acordo com as principais lideranças evangélicas para montar palanques e transformar templos evangélicos em grandes comitês eleitorais, que foram fundamentais para sua vitória. Tanto que nas pesquisas de boca de urna, 69% das pessoas que se declararam evangélicas diziam ter votado no capitão para presidente.

Eleito e acumulando sucessivas crises, Bolsonaro viu sua aprovação em queda livre. Porém, diferentemente de outros setores da sociedade – onde a rejeição já beira os 50% -, entre os evangélicos a desaprovação ao presidente é menos acelerado, estacionando em cerca de 30%.

Agora, Bolsonaro joga tudo nesse eleitorado para tentar estancar a sangria de popularidade e chegar com algum status – de “homem cristão” – às eleições municipais de 2020, onde testará sua capacidade de criar uma base aliada nas prefeituras.

Neste jogo, a barganha da velha política tornou-se sagrada a ponto de Bolsonaro transferir a Secretaria de Cultura do Ministério da Cidadania para a pasta do Turismo, onde o investigado Marcelo Álvaro Antônio mostrou força ao não cair de maduro em meio ao laranjal do PSL.

Na tarde desta quinta-feira (7), Bolsonaro recebe o pastor Romildo Ribeiro “R.R.” Soares no Planalto para acertar a ida do filho dele, o ex-deputado federal Marcos Soares (DEM-RJ), para a secretaria, que tem, entre suas atribuições, distribuir os benefícios da Lei Rouanet, que deve começar a contemplar também as igrejas.

Marcos Soares é sobrinho de Edir Macedo, que aprendeu o sagrado ofício de criar agremiações evangélicas com o ex-cunhado e atual desafeto, R.R. Soares.

Nesta quarta-feira (6), Bolsonaro também recebeu no Planalto o pastor Silas Malafaia, com quem chegou a ter alguns problemas no início do mandato e quer evitar novas rusgas.

Na sequência, se reuniu com o futuro vice em 2022, o pastor Marco Feliciano (Podemos-SP), que virou habitué nas viagens internacionais do presidente após criticar o atual vice, Hamilton Mourão.

Católico declarado, mas batizado nas águas do Rio Jordão pelo ex-colega de Câmara, Pastor Everaldo – que governa o Rio a partir da projeção que deu a Wilson Witzel (PSC) -, Bolsonaro sabe que é o eleitorado evangélico que pode garantir os 30% imprescindíveis para tentar uma reeleição em 2022. E reza para que nenhum escândalo, além dos incontáveis que já contabilizou neste ano, o abata com um impeachment antes de 2021.

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