Bolsonaro louva a ditadura e confronta Flávio Dino em ato na base de Alcântara: “Meu estado do Maranhão”

Após ensaiar o debate eleitoral com o governador Flávio Dino (PCdoB), um dos virtuais candidatos do campo progressista em 2022, Bolsonaro disse que a base é uma das grandes obras de "21 anos de um regime um pouco diferente no país"

Em evento na base de Alcântara para entrega de 125 títulos de propriedade de terra, Jair Bolsonaro (Sem partido) louvou a ditadura pela “grande obra” e antecipou uma possível disputa eleitoral em 2022, confrontando o governador do Estado, Flávio Dino (PCdoB), um dos pré-candidatos do campo progressista.

Ao iniciar seu discurso, Bolsonaro disse que “é uma satisfação retornar ao meu estado do Maranhão”, arrancando aplausos dos convidados e anunciando que voltará ao estado “ainda este ano para inaugurar a ponte do Alto Parnaíba”.

Na sequência, Bolsonaro listou uma série de ações do governo federal no estado. O presidente levou cinco ministros para a cerimônia: Damares Alves (Mulher, Cidadania e Direitos Humanos), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Milton Ribeiro (Educação) e Gilsom Machado (Turismo).

“No ano passado, prezados moradores de Alcantâra, o governo federal dispensou R$ 18 bilhões para o estado do Maranhão. A gente não olha no mapa para saber se eu fui ou não bem votado no Estado. Aqui eu fui o último estado no tocante à votação, levando-se em conta a proporcionalidade”, disse Bolsonaro, que obteve apenas 26,74% dos votos válidos no Estado, ante 73,26% de Fernando Haddad (PT), no segundo turno das eleições 2018.

“Deste recurso, R$ 18 bi para o Maranhão, R$ 1,3 bilhão foi para a Saúde, R$ 190 milhões para leitos de UTI. Não justifica qualquer reclamação de não haver leitos de UTI para atender os nossos irmãos maranhenses acaso cometidos da Covid-19”, disse Bolsonaro, antecipando o embate com Dino, e citando ainda “R$ 13 bilhões” que teriam sido pagos pelo auxilio emergencial no Estado.

Ditadura
Ao final, Jair Bolsonaro louvou a ditadura militar pela inauguração, em 1983, do Centro de Lançamento de Alcântara, criado como alternativa ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), localizado no estado do Rio Grande do Norte, pois o crescimento urbano em seus arredores não permitia ampliações da base.

“Isso aqui nasceu em 1983 mais uma das grandes obras dos cinco presidentes militares que tivemos no Brasil. Grandes obras ao longo de 21 anos, onde vivi um regime de… um pouco diferente do que vivemos hoje, mas com muita responsabilidade com o futuro de seu país”.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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