Bolsonaro pagou o dobro por máscaras impróprias para uso de profissionais de saúde, diz jornal

Governo Bolsonaro pagou R$ 8,65 por máscaras produzidas na China impróprias para profissionais de Saúde. Contrato escondido do MPF revela que 3M cobrou R$ 3,59 por artefato de qualidade muito superior

O governo Jair Bolsonaro (Sem partido) pagou mais que o dobro do valor das máscaras tipo PFF2, da 3M, por um lote de máscaras impróprias para uso de profissionais de saúde, que acabaram descartadas.

Segundo reportagem de Vinicius Sassine, na edição deste domingo (29) da Folha de S.Paulo, o governo pagou R$ 3,59 a unidade po um lote de 500 mil máscaras da 3M, consideradas uma das melhores para combate à Covid-19.

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Ao mesmo tempo, comprou máscaras do tipo KN95, de fabricação chinesa, por US$ 1,65, ou R$ 8,65, conforme a cotação do dólar estabelecida no contrato.

O Ministério da Saúde, no entanto, teria omitido os valores pagos pelas máscaras 3M para maquiar o comparativo com as impróprias.

Os contratos são assinados pelo então diretor do Departamento de Logística em Saúde, Roberto Ferreira Dias, que é próximo ao deputado Ricardo Barros (PP-PR), durante a gestão Eduardo Pazuello.

De acordo com a Folha, em ao menos três ocasiões Dias escondeu a existência do contrato com a 3M do Ministério Público Federal.

As máscaras diziam na própria embalagem “non-medical”, sinalizando que eram impróprias para o uso de profissionais de saúde.

Os artefatos foram adquiridos da Global Base Development HK Limited, uma empresa de Hong Kong. A representação junto ao ministério foi feita pela 356 Distribuidora, Importadora e Exportadora, cujo dono é Freddy Rabbat, empresário que atua no mercado de relógios de luxo suíços.

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Com o Ministério da Saúde, ele assinou um contrato para venda de 40 milhões de KN95 e 200 milhões de máscaras cirúrgicas. O valor total do contrato é de R$ 691,7 milhões. Metade desse valor se refere às máscaras impróprias.

“A CPI vem mostrando um pântano de corrupção no governo. O escândalo das máscaras é estarrecedor e foi levantado na Comissão em vários depoimentos. Nessa reta final a malversação ficou ainda mais explícita”, tuitou Renan Calheiros (MDB-AL) sobre o caso.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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