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17 de janeiro de 2020, 11h10

Bolsonaro também usa tática nazista ao divulgar vídeo atacando jornalistas: “Tomem vergonha na cara”

Em 1943, após fechar jornais, perseguir jornalistas e submeter rádios à programação única, Joseph Goebbels declarou que "qualquer homem que ainda tenha um resíduo de honra tomará todo cuidado para não se tornar jornalista”

Jair Bolsonaro - Foto: Reprodução

Menos de três horas após o secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, divulgar um vídeo com clara conotação nazista nas redes sociais, Jair Bolsonaro foi às redes sociais mandar a imprensa “tomar vergonha na cara”, usando a tática desenvolvida por Joseph Goebbels no Reich de Adolf Hitler para intimidação do trabalho dos jornalistas.

Leia também: Bolsonaro, Lava Jato e o método nazista de controle da mídia

“Esta imprensa que está aqui agora me olhando. Estou sobre suas lentes comecem a produzir verdade, porque só a verdade pode nos libertar. A essa imprensa, não tomarei nenhuma medida para tentar censurá-los, mas tomem vergonha na cara. Deixem nosso governo em paz”, declarou, aos gritos, Bolsonaro.

Com o governo no centro de nova denúncia de corrupção, com o esquema montado pelo secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, de receber dinheiro, pela sua empresa – a FW Comunicação -, dos mesmos anunciantes que contempla com verbas publicitárias no governo, Jair Bolsonaro passou o dia desferindo ataques contra jornalistas. Primeiro, mandou repórter da Folha de S.Paulo ficar quieta, dizendo que o jornal  “não tem crédito para acusar ninguém”.

Mais tarde, voltou à tona contra jornalista da mesma Folha, indagando “você está falando da tua mãe?”, ao ser indagado sobre o mesmo caso. O vídeo, publicado após live com o secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, e o ministro da Educação, Abraham Weintraub – dois dos mais ferrenhos doutrinados de Olavo de Carvalho no governo – encerrou o dia de ataques à imprensa.

Tática nazista
A tática de Jair Bolsonaro para intimidar o trabalho de jornalistas foi usada amplamente durante a ascensão de Adolf Hitler e do nazismo na Alemanha, no início do século XX.

Em 1943, após fechar todos os veículos de mídia, submeter os jornalistas à Câmara de Radiodifusão do governo nazista e criar uma programação única para todos as emissoras de rádio na Alemanha, o ministro da Propaganda, Joseph Goebbels – citado em discurso de Roberto Alvim -, declarou que “qualquer homem que ainda tenha um resíduo de honra tomará todo cuidado para não se tornar jornalista”.

No entanto, desde antes de chegar ao poder, os achaques de Adolf Hitler à mídia eram recorrentes. Assim como Bolsonaro mira a Folha de S.Paulo e veículos independentes, como esta Fórum, Hitler elegeu um veículo como inimigo, o Münchener Post, que os nazistas chamavam de “a cozinha venenosa”, segundo o livro Para Entender Hitler, do jornalista estadunidense Ron Rosenbaum.

“Venenoso” era uma expressão reservada por Hitler para aqueles a quem odiava mais profundamente, era o epíteto com que se referia aos judeus: envendenadores”, explica o jornalista.

O jornal acompanhou toda a ascensão de Hitler nos 12 anos antes do “führer” assumir o poder e mandar invadir a redação do jornal, destruindo todo o arquivo do periódico e cumprindo a promessa do ditador.

“Senhor Auer! O senhor e sua injeção de veneno têm grande parte da culpa pela miséria que o povo alemão vive hoje. Senhor Auer! O senhor recebeu dinheiro dos judeus do gado, o senhor se vendeu para os judeus”, discursou Hitler, atacando o editor do jornal, Erhard Auer.

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