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09 de julho de 2020, 07h14

Bolsonaro usa assessores para pressionar Facebook e oposição quer investigação da rede em inquérito do STF

"Isso é uma prova cabal que essas milícias digitais têm a cobertura do Palácio do Planalto", afirmou o senador Humberto Costa. Facebook disse que ação é global e não política

Bolsonaro e a cloroquina - Foto: Reprodução

Em seu primeiro dia de quarentena no Palácio da Alvorada, Jair Bolsonaro usou auxiliares para entrar em contato com executivos do Facebook depois que a rede derrubou dezenas de perfis de aliados do presidente nas redes e acusou um de seus assessores, Tércio Arnaud Thomaz, do chamado “Gabinete do ódio”, de ser um dos principais agentes de estruturação do grupo.

Segundo informações da coluna Painel, na edição desta quinta-feira (9) da Folha de S.Paulo, os executivos da rede de Mark Zuckerberg disseram apenas que a derrubada dos pefis é parte de uma ação global da rede social e não era nenhuma perseguição contra bolsonaristas ou contra o governo.

A investida do Facebook contra o grupo que inclui a milícia digital que dissemina fake pró-Bolsonaro entre as grandes redes de disseminação de fake news e discurso de ódio no mundo deram impulso à oposição, que entrou com pedido para que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), investigue a ligação de assessores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), seus filhos e aliados com 73 contas falsas derrubadas.

“As investigações do Facebook mostram que há fortes indícios do envolvimento dos gabinetes de Jair, Flávio e Eduardo Bolsonaro por trás dessas contas que disseminam fake news e discursos de ódio, incluindo ataques a instituições democráticas como o STF, o que é crime”, afirmou o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

“Isso é uma prova cabal que essas milícias digitais têm a cobertura do Palácio do Planalto. Elas são operadas lá de dentro usando recursos públicos. A CPMI vai investigar esse uso da máquina pública para a propagação de desinformação”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE)

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou em entrevista à CNN Brasil que a ação reforça a necessidade de regulamentar o uso das redes.

“No caso específico do Facebook, eu não posso comentar porque não conheço o caso a fundo. Agora em relação à perseguição, acho que o ambiente das redes sociais foi, nos últimos meses, muito mais favorável àqueles que apoiam o presidente do que o contrário”, disse.


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