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14 de agosto de 2019, 16h02

Bolsonaro usa Marielle Franco para justificar que Itamaraty é “petista”, diz professor

Homenagem feita a Marielle Franco um mês depois da morte da vereadora é usada pelo governo Bolsonaro como forma de acusar Itamaraty de ser formado por "esquerdistas"; a homenagem foi elogiada até pelo ex-presidente Michel Temer e pelo ex-chanceler Aloysio Nunes

Foto: Arthur Max (AIG/MRE)

Em sequência publicada no Twitter, o professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Guilherme Casarões, destacou a tentativa de Jair Bolsonaro de atacar o Itamaraty usando a figura da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018. Marielle foi definida como patrona da penúltima turma de formandos do Instituto Rio Branco, um mês depois de sua morte.

Casarões destaca que a homenagem a Marielle foi elogiada pelo então chanceler Aloysio Nunes (PSDB) e pelo então presidente Michel Temer (MDB), que chamaram a atenção para a chuva de notícias falsas que envolvia o nome da vereadora, vítima, segundo Temer, de um assassinato “inaceitável e covarde”.

A escolha foi justificada pela turma como uma forma de fazer com que “o decurso do tempo não esmoreça em nós a indignação que sua morte nos causou”. A embaixadora Thereza Quintella, paraninfa da turma, disse na ocasião que a homenagem à Marielle destacava a “importância da questão da justiça social e dos direitos humanos na sociedade brasileira e no mundo”.

Como aponta Casarões, desde o anúncio da possível nomeação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada do Brasil nos EUA, o presidente da República e seus seguidores tem promovido uma campanha difamatória contra o Itamaraty e têm usado a homenagem à vereadora assassinada pela milícia como uma forma de dizer que a instituição é “esquerdista”. Segundo o presidente, “todos os diplomatas de carreira são esquerdistas”.

O deputado estadual Gil Diniz (PSL-SP), conhecido como Carteiro Reaça, foi um dos primeiros que levantou publicamente a tese da esquerdização do Instituto Rio Branco e publicou sobre a homenagem feita a Marielle Franco como um “sinal”. O argumento foi repetido por Bolsonaro esta semana quando disse a jornalistas que não estava brincando sobre uma possível nomeação de Eduardo como Ministro das Relações Exteriores caso ele seja rejeitado como embaixador.

“Vocês sabem o nome da última turma formada pelo Itamaraty, vocês sabem? Se vocês não sabem eu não vou falar. Como jornalistas vocês deviam saber, pelo amor de Deus. Vocês não sabem o patrono… A patrona – foi uma mulher, tá? – da última turma do Itamaraty? Penúltima”, falou o presidente a jornalistas, deixando o local após os presentes não darem a resposta. A patrona, no caso, é Marielle Franco.

 


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