Bolsonaro volta atrás e manda AGU dizer ao STF para rever decisão sobre vídeo de reunião com Moro

Em decisão na última terça-feira (5), Celso de Mello deu prazo de 72 horas para o governo entregar vídeo de reunião citada por Moro em depoimento, que comprovaria tentativa de interferência de Bolsonaro na PF

Após Jair Bolsonaro voltar atrás em relação à divulgação do vídeo da reunião de ministros do dia 22 de abril, citado por Sérgio Moro em depoimento à Polícia Federal, o advogado-geral da União, José Levi Mello do Amaral Junior, pediu ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que reveja a decisão desta terça-feira (5) na qual deu prazo de 72 horas para o governo entregar as imagens.

No dia 28 de abril, Bolsonaro chegou a dizer que pediu para legendar o vídeo para divulgação, mas dois dias depois disse que foi aconselhado a não divulgar “para não criar turbulência”.

Seguindo a mesma linha, a AGU argumenta que na reunião “foram tratados assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado, inclusive de relações exteriores, entre outros”.

Substituição
Em depoimento à Polícia Federal, Sergio Moro afirmou que, na reunião do conselho de ministros de 22 de abril, Bolsonaro cobrou a substituição do superintendente da PF no Rio de Janeiro e do então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, além relatórios de inteligência e informação da PF.

Na mesma reunião, segundo Moro, Bosonaro disse que, se não pudesse trocar o superintendente da PF do Rio de Janeiro, poderia trocar o diretor-geral e o próprio ministro da Justiça.

Essas reuniões eram gravadas e tinham participação de todos os ministros e servidores da assessoria do Planalto.

Nesta terça (5), Bolsonaro disse a jornalistas na entrada do Palácio da Alvorada, residência oficial, que não pediu nada “ilegal” a Moro.

“Ele [Moro] disse que eu pedi em uma reunião de ministros. Uma reunião de ministros. A gente ia pedir algo ilegal? Não peço ilegal nem individualmente, que dirá em forma coletiva”, afirmou Bolsonaro.

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