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10 de julho de 2019, 06h32

Câmara encerra discussão sobre proposta de reforma da Previdência, que deve ir à votação nesta quarta-feira

Enquanto a tropa de choque de Bolsonaro tentava atropelar a oposição no plenário da Câmara, o ministro da Economia, Paulo Guedes, preparava medidas pós aprovação da reforma da Previdência, que prevê uma política ainda mais incisiva de privatização e enxugamento do Estado

Deputados oposicionistas protestam no plenário (Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Por 353 votos contra 118, os deputados encerraram na madrugada desta quarta-feira (10) a fase de discussão em plenário da proposta de reforma da Previdência de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. A oposição ainda traça estratégias para barrar a votação do texto-base, prevista para a sessão marcada para as 9h desta quarta.

A expectativa era de que o texto-base fosse votado ainda nesta terça-feira (9), mas a oposição intensificou os debates, enquanto deputados governistas e do centrão pediam a liberação de mais verbas, mesmo com o “toma lá, dá cá” promovido por Bolsonaro, que liberou mais de R$ 2,5 bilhões nos primeiros cinco dias de julho – somente esta semana foram R$ 1,13 bi.

Enquanto a tropa de choque parlamentar tentava atropelar a oposição no plenário da Câmara, o ministro da Economia, Paulo Guedes, preparava medidas pós aprovação da reforma da Previdência, que prevê uma política ainda mais incisiva de privatização e enxugamento do Estado.

Uma das ações em estudo pela equipe econômica é rever o papel das autarquias do governo federal. Após diagnóstico, há sinais de que algumas podem ser extintas, outras fundidas ou ainda incorporadas.

Obstrução
Durante a sessão, que terminou só às 0h43, os bolsonaristas lutaram para barrar a tentativa de obstrução da pauta, com medidas propostas por deputados da oposição.

Depois da derrubada de um requerimento de retirada de pauta, outros requerimentos da oposição, que queriam adiar a discussão por diferentes prazos não foram votados porque foram consideradas decididos quando o plenário derrubou a proposta de retirada de pauta.

O deputado Gervásio Maia (PSB-PB) acusou o governo de acionar um “rolo compressor” com a liberação de emendas orçamentárias, em detrimento da população. “Vai promover um ajuste fiscal no lombo da classe trabalhadora”, criticou.

Para o líder da oposição, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), a proposta vai criar um país mais desigual. “É justo fazer um trabalhador que ganha em torno de R$ 2 mil deixar para o seu viúvo ou viúva menos de um salário mínimo?”, questionou.

O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) destacou que uma proposta cujo objetivo é economizar R$ 1 trilhão não serve para combater privilégios. Ele disse que esse recurso poderia ser arrecadado com o aumento de impostos sobre lucros, dividendos e grandes fortunas e com a revisão de incentivos fiscais concedidos. “É possível buscar financiamento suficiente daqueles que podem pagar, sem atacar os mais pobres”, disse.

A líder da Minoria, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), avaliou que o texto quebra o conceito de seguridade social. “Deixar ao léu viúvas e órfãos é gravíssimo, tirando a garantia de um salário mínimo”, disse ela.

O deputado Henrique Fontana (PT-RS) ressaltou que, pelo novo sistema de cálculo, todas as aposentadorias serão reduzidas. “Querem cortar aposentadorias de duas formas: 40 anos de contribuição para ter integralidade; e reduzir a aposentadoria ao contabilizar os salários do começo”, afirmou.

Veja como votou cada deputado:

(Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Com informações da Agência Câmara


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