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12 de agosto de 2019, 14h31

Com economia brasileira no mesmo rumo da argentina, Guedes pede “um ano ou dois” para seu governo liberal

A derrota do governo liberal de Maurício Macri nas eleições primárias da Argentina causaram reações raivosas nos agentes do mercado financeiro e refletiu no Brasil, com a Bovespa operando em queda de cerca de 2%

Paulo Guedes, em evento sobre a "Liberdade Econômica" no STJ (Foto: Rafael Luz / STJ)

Com a economia brasileira seguindo os rumos da política neoliberal implantada por Maurício Macri na Argentina, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu nesta segunda-feira (12) em palestra no Superior Tribunal de Justiça (STJ) “um ano ou dois” para o governo liberal de Jair Bolsonaro melhorar os indicadores econômicos, em franca decadência desde que Michel Temer assumiu a presidência no golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff (PT).

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“Quebraram o setor elétrico, o setor de petróleo, os fundos de pensão e agora a economia parou. E agora, em cinco, seis meses ‘o Brasil não está andando. Culpa do novo governo’. Ora, senhores. Quem governou 30 anos o Brasil, a social-democracia, que fez muitas coisas boas, dê um ano ou dois”, disse o ministro, ignorando a retração econômica anunciada nesta segunda, de acordo com dados do Banco Central.

Segundo levantamento feito pela Folha de S.Paulo em 87 estatísticas oficiais, 44 pioraram, 15 permaneceram estáveis e 28 apresentaram alguma melhora no primeiro semestre do governo Bolsonaro. Guedes, no entanto, culpa, a “social-democracia” pelos dados.

“Dê um governo, dê uma chance de um governo de quatro anos para a liberal-democracia. […] Nós esperamos tantas vezes. Espera um pouquinho, espera quatro anos, vamos ver se melhora um pouco. Nos deem chance de trabalhar também”, afirmou.

Argentina
A derrota do governo liberal de Maurício Macri nas eleições primárias da Argentina neste domingo (11) causaram reações raivosas nos agentes do mercado financeiro e refletiu no Brasil, com a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operando em queda de cerca de 2% nesta segunda-feira.

“A diferença do resultado foi muito maior do que podíamos supor. Pelos números da economia, era mais provável que a oposição ganhasse, mas havia outros aspetos que beneficiavam o governo como transparência e combate à corrupção, mas isso não aconteceu”, explicou à RFI a Mariel Fornoni, diretora da Management & Fit, empresa especializada em opinião pública.

Os dados econômicos, a que se refere à consultora financeira, estão ligados às altas taxas de desemprego, ao sucateamento da educação e da saúde pública e da miséria que se instalou na Argentina com as políticas adotadas por Macri.


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