quarta-feira, 23 set 2020
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Com Lula livre, Bolsonaro se aproxima da Globo e dá entrevista exclusiva para falar sobre a Bolívia

Aconselhado a mudar a postura em relação à Globo durante reunião com a cúpula militar do governo no sábado (9) de manhã, após o ex-presidente Lula retomar a liberdade, Jair Bolsonaro deu uma entrevista exclusiva, por telefone, ao jornal O Globo para negar que a deposição violenta de Evo Morales na Bolívia, que decidiu renunciar ao cargo, seja golpe.

“A palavra golpe é usada muito quando a esquerda perde, né? Quando eles ganham, é legítimo. Quando eles perdem, é golpe. Eu não vou entrar nessa narrativa deles aí. A esquerda vai falar que houve golpe agora”, disse Bolsonaro ao jornal da família Marinho.

No sábado (9), antes do ex-presidente Lula discursar em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Bolsonaro convocou uma reunião de urgência, fora da agenda, com a alta cúpula militar no Palácio da Alvorada.

Participaram o ministro de Estado da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva; o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira; o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno; o comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Ilques Barbosa Junior; o comandante do Exército, general Edson Leal Pujol; e o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Antonio Carlos Moretti Bermudez.

Pouco depois do fim da reunião, por volta das 13h Bolsonaro falou diretamente sobre Lula, tecendo críticas ao ex-presidente: “A grande maioria do povo brasileiro é honesto, trabalhador, e não vamos dar espaço e contemporizar com presidiário”, declarou, ao deixar o Palácio da Alvorada.

Bolsonaro teria sido orientado a mudar de postura com a emissora da família Marinho “para não jogar a Globo no colo da esquerda”. A estratégia é amenizar os ataques e deixar de dizer que a emissora é “petista”.

Paz e amor
Na entrevista a O Globo, Bolsonaro ainda mudou sua postura agressiva, dizendo que não é bom “esse tipo de movimento” e defendeu a volta do voto impresso no Brasil.

“Não é bom acontecer esse tipo de movimento. Eu sei que lá foi contra a esquerda, mas a gente não quer nem contra a esquerda nem contra a direita. A gente quer que, acabou, tem dúvida, vai lá e conta, abre a urna lá, o voto impresso e conta”, disse.

Segundo ele, a falta de um sistema seguro de votação na Bolívia teria levado ao golpe em Evo Morales.

“Só vou dar uma observação sobre o que levou à renúncia do Evo Morales: um sinal que nós aqui no Brasil precisamos de um sistema de votação seguro. Esse que está aí não serve. Esse que está aí leva a esse tipo de problema”, disse Bolsonaro.

Plinio Teodoro
Plinio Teodoro
Plínio Teodoro Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.