Coronel Hudson, tio de ex de Bolsonaro, dividia com Queiroz recolhimento da “rachadinha”

Em áudio, ex-cunhada de Bolsonaro afirma que "o tio Hudson também já tirou o corpo fora, porque quem pegava a bolada era ele". Coronel foi colega de Bolsonaro na Academia Militar e é tio da ex-mulher do atual presidente

Ex-colega de Jair Bolsonaro (Sem partido) na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) e tio de Ana Cristina Valle, o coronel Guilherme dos Santos Hudson dividia com o ex-PM Fabrício Queiroz a tarefa de recolher até 90% do valor dos salários de funcionários fantasmas nomeados nos gabinetes do hoje presidente – que foi deputado federal por quase três décadas – e dos filhos Carlos e Flávio Bolsonaro.

Em áudios revelados por Juliana Dal Piva, no portal Uol nesta segunda-feira (5), a ex-cunhada de Bolsonaro, a fisiculturista Andrea Siqueira do Valle afirma que o militar era responsável por pegar “a bolada”.

“O tio Hudson também já tirou o corpo fora, porque quem pegava a bolada era ele. Quem me levava e buscava no banco era ele”, conta Andrea no áudio gravado em outubro de 2018, antes do primeiro turno das eleições presidenciais, em que reclama de perder a “mesada”, cerca de 10% do salário que recebia como funcionária fantasma no gabinete de Flávio na Alerj – os outros 90% ela devolvia ao clã.

“Na hora que eu estava aí fornecendo também e ele estava me ajudando porque eu ficava com mil e pouco e ele ficava com sete mil reais, então assim, certo ou errado agora já foi, não tem jeito de voltar atrás”, emenda a ex-cunhada de Bolsonaro, que também afirmou que o irmão, André, foi exonerado do gabinete de Bolsonaro por não devolver o “dinheiro certo que tinha que ser devolvido”.

Cavalão
Amigo há décadas de Bolsonaro, a quem tratava como “cavalão” na época em que cursaram a Aman, o coronel Guilherme Hudson efetuou saques em dinheiro que totalizaram R$ 260 mil entre 2009 e 2016.

O militar seria responsável por fazer o imposto de renda de familiares de Flávio e outros funcionários que participariam do suposto esquema de rachadinha.

Lotado no gabinete de Flávio na Alerj, Coronel Hudson pagou R$ 38 mil em dinheiro por um terreno do então deputado federal Jair Bolsonaro e Ana Cristina Siqueira Valle, sua segunda ex-esposa, em Resende. A compra foi feita em 2008.

O terreno tinha adquirido por Bolsonaro e Ana Cristina em novembro de 2003, pelo mesmo valor que o venderam ao coronel. Caso fossem feitos os reajustes por valorização ou pela inflação de 28,76%, a venda deveria ter sido R$ 10 mil mais cara.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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