No dia do médico, Bolsonaro publica vídeo ao lado da “Capitã Cloroquina”

Mayra Pinheiro é acusada de compor o chamado “gabinete paralelo” que teria municiado o presidente Jair Bolsonaro com informações anti-científicas

Em comemoração ao Dia do Médico nesta segunda-feira (18), o presidente Jair Bolsonaro publicou um vídeo ao lado da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, a “Capitã Cloroquina”. A gravação, de 2014, foi publicada pelo perfil do Facebook “Família e Liberdade” e compartilhada pelo presidente. “Vídeo de 2014, mas sempre atual”, escreveu Bolsonaro.

“Aqui do meu lado uma representante da classe médica. Quero mandar um abraço muito especial a todos vocês por esse dia, o Dia do Médico. O que seria de nós sem vocês naquele momento que todo mundo pede a Deus para não passar. Devemos primeiro a Deus as nossas vidas, em segundo lugar a vocês. Estamos juntos e podem ter certeza, vocês moram no meu coração”, disse Bolsonaro.

Mayra Pinheiro se limitou a agradecer pelo reconhecimento. Junto no vídeo, o filho do presidente e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) apenas mandou um abraço e disse “fiquem com Deus”.

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Acusada de compor “gabinete paralelo”

Mayra Pinheiro é investigada pela CPI da Covid-19. A secretária é acusada de compor o chamado “gabinete paralelo” que teria municiado Bolsonaro com informações anti-científicas que fizeram com que o governo seguisse um rumo negacionista na gestão da pandemia.

Em agosto, a comissão informou que denunciaria a médica ao Tribunal Penal Internacional de Haia por crime de lesa-humanidade. Para os senadores que formam o núcleo duro da CPI, está provado que a secretária do Ministério da Saúde usou a população de Manaus como cobaia para experimentos científicos com a cloroquina, medicamento que é ineficaz contra a Covid-19.

Na audiência que participou na CPI, ela mentiu diversas vezes durante o depoimento, além de ter sido flagrada em vídeo combinando respostas que daria a senadores aliados.

Durante a pandemia da Covid-19, a médica chamou atenção no governo Bolsonaro por sua defesa da cloroquina. Em vídeo compartilhado nas redes sociais em maio do ano passado, Mayra afirmou que quem não receitasse os medicamentos do “kit Covid”, poderia ser acusado de “crime contra a humanidade”.

A pediatra também esteve por trás da criação do aplicativo TrateCov, lançado em Manaus na época em que a capital amazonense enfrentava seu pior momento na pandemia. Segundo Mayra, a ferramenta serviria para auxiliar o diagnóstico dos doentes. Na prática, no entanto, o aplicativo prescrevia cloroquina para qualquer pessoa, independente da idade ou condições de saúde.

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Carolina Fortes

Repórter colaborativa no site Emerge Mag e antiga editora-assistente no site da Jovem Pan. Ex-repórter no site Elástica. Formada em jornalismo e faz a segunda graduação em Letras na Universidade de São Paulo (USP). Acredita no jornalismo como forma de impacto social e defende maior inclusão e representatividade.

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